Dia do Imigrante Italiano: O legado da Itália em Valinhos

Dia do Imigrante Italiano: O legado da Itália em Valinhos

O Dia Nacional do Imigrante Italiano será comemorado neste domingo, dia 21. A data foi instituída em 2008 para homenagear o maior movimento migratório internacional do país e é uma referência a chegada do navio La Sofia a Vitória, no Espírito Santo, em fevereiro de 1874. Segundo a Fondazione Migrantes, o Brasil é o país com o maior número de descendentes de italianos no mundo: cerca de 30 milhões de pessoas.

A chegada dos primeiros imigrantes italianos em Valinhos começa no ano de 1988. O historiador valinhense José Spadaccia, em seu livro ‘Monografia Histórica de Valinhos’, afirma que foram os italianos que fincaram as raízes do comércio e os alicerces da indústria na cidade. Os imigrantes que chegavam a São Paulo iam para o interior de trem e se instalavam nas fazendas de café, onde substituíram a mão de obra escrava e passaram a ser reconhecidos como colonos.

Valinhos teve significativa participação dos italianos e, consequentemente, seus descendentes, na história de crescimento e desenvolvimento da cidade. Através das suas mãos, da força de trabalho e da determinação, aquele tímido Distrito de Paz se transformou em uma das melhores cidades brasileiras para se viver. O legado da Itália em Valinhos é visível na agricultura, indústria, festas, costumes e crenças.

Figo


O principal fruto produzido na cidade foi introduzido pelo italiano Lino Busatto em 1901. Dez anos depois o figo já era produzido em escala comercial. A história conta que ele se cansou dos maus tratos na fazenda onde trabalhava, pediu as contas, e com o dinheiro comprou o terreno na esquina das atuais ruas Campo Salles e Carlos Gomes e lá plantou as primeiras mudas de figo roxo.

Agricultura
A figueira se adaptou facilmente à terra valinhense e o imigrante italiano Lino Busatto distribuiu mudas gratuitamente aos amigos e vizinhos. Atualmente Valinhos projeta uma safra de 3.584 toneladas de figo. O figo roxo mudou a história econômica, social e turística de Valinhos.

Tradição Religiosa


A história da Igreja Católica em Valinhos se une com o desenvolvimento agrícola do munícipio quando em 1939 o Monsenhor Bruno Nardini tomou posse como vigário da Paróquia de São Sebastião e, com o intuito de arrecadar fundos para a construção da nova Matriz, deu início ao evento que hoje conhecemos como Festa do Figo. A própria construção da igreja, em 1940, teve a importante mão de obra dos imigrantes.

Economia


Valinhos tem projeção nacional ao ser conhecida como a ‘Cidade do Figo Roxo’. De acordo com a Associação, 30% da produção de figo são destinadas à exportação, o equivalente a quase R$10 milhões. Holanda, Alemanha e França são os principais destinos do figo roxo produzido em Valinhos.

Indústria

Em 1987 o imigrante italiano José Milani iniciou a fabricação de sabão e, assim, fundou a Cia. Gessy, uma pequena indústria que conseguiu grande impulso e desenvolvimento com a fabricação de sabão, sabonetes, perfumarias. Em 1960, incorporada pela Unilever, passou a ser um dos mais importantes conglomerados industriais, com fábricas em diferentes cidades.

Cultura


Em 1991 um grupo formado por descentes de italianos fundou a Associação Cultural Ítalo Brasileira de Valinhos com o objetivo de fazer com que a cultura italiana na cidade fosse resgatada e registrada para as próximas gerações. A Associação dissemina a cultura italiana na cidade, oferece aulas do idioma para cidadãos valinhenses e mantém vivas diversas tradições que fazem parte da história de Valinhos.

Edifícios


As construções, símbolos de crescimento dos novos tempos, também são marcados pela influência da Itália. Valinhos tem edifícios conhecidos que carregam a Itália no nome: Palermo, Milano, Valença, Itália, e outros.

Ruas e Avenidas


Valinhos tem muitas ruas e avenidas que homenageiam a Itália: Eugênio Franceschini, José Milani, Luiz Antoniazzi, Luiza Rodella Brandini, Ângela Ferraro Menegaldo, Luis Carlos Brunello, Vicente Musselli, entre outras. Gerações dessas tradicionais famílias de italianos ainda vivem em Valinhos.
 

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