Vírus: a única razão de sua existência é se multiplicar

Vírus: a única razão de sua existência é se multiplicar

Especialista explica como esse microrganismo trabalha para alcançar sua meta
Especialista explica como esse microrganismo trabalha para alcançar sua meta

Vírus são organismos microscópicos acelulares, ou seja, não são constituídos por células. Eles são formados apenas por material genético, que pode ser uma molécula de DNA ou RNA ou os dois juntos, envolvido por uma cápsula proteica. Na comunidade científica, inclusive, não há consenso sobre sua classificação como ser vivo ou não. O fato é que eles não comem, não respiram ou excretam. “O único sentido de sua existência é se multiplicar e, como não conseguem fazer isso sozinhos, precisam de hospedeiros,” explica a biomédica dos Laboratórios DMS Burnier Vanessa Mieli Toledo.

Sendo estruturas tão simples, como esses seres minúsculos conseguem causar tantos males? A biomédica conta que os vírus são classificados como parasitas obrigatórios, o que significa que só sobrevivem se estiverem hospedados em outro organismo, pois se utilizam das células do hospedeiro para se reproduzir. Quando em contato com o hospedeiro, o vírus e seu respectivo material genético invadem e dominam a célula, transformando-a, basicamente, em uma fábrica de produção de cópias suas. “Ele usa todos os recursos da célula hospedeira para se multiplicar e, essa célula infectada se dedica tanto a produzir as proteínas do vírus que morre por não conseguir fabricar suas próprias proteínas,” complementa.

Em latim, a palavra vírus significa “veneno” ou “toxina”, provavelmente numa referência às diversas enfermidades infecciosas causadas por eles, que vão desde as gripes mais simples até doenças graves como dengue, febre amarela, Aids e, a bola da vez, a Covid-19. A forma de contágio varia de vírus para vírus. Em muitos casos é necessário um vetor, o mosquito é o mais comum, para o vírus se locomover de um hospedeiro para outro. Em outros casos, o contato com fluídos corporais de uma pessoa infectada ou com o próprio ar contaminado funciona como meio de transmissão. “Atualmente temos cerca de 3.600 espécies de vírus identificadas. Toda essa variedade representa a existência dos mais diferentes formatos, estruturas e genomas. Cada vírus possui uma célula hospedeira específica, uma célula alvo. Por isso, alguns atacam somente plantas, outros animais e humanos, há também vírus que atacam apenas bactérias e fungos e aqueles que necessitam da ação de um vetor, como os arbovírus”, comenta Vanessa.

Estudos mostram que a capacidade de disseminação entre as pessoas se transformou na medida em que o modo de viver em sociedade foi se modificando. Peguemos como exemplo o vírus do herpes, provavelmente, um dos mais comuns e discretos que parasitam na espécie humana e que, em nenhuma das suas duas versões, causa a morte do hospedeiro. A primeira de suas versões, encontrada em 67% da população mundial, se manifesta de forma branda: durante as crises, que duram no máximo dez dias, cachos de bolinhas com líquido brotam nos lábios do infectado. Não há cura; mas também não há preocupação: elas vão embora sozinhas, para talvez voltar meses ou anos depois. A segunda versão, por sua vez, geralmente ataca os genitais, atinge uma em cada seis pessoas, e tem sintomas mais incômodos. Mas, é só isso.

A explicação do comportamento moderado do herpes está no fato de se tratar de um vírus bastante antigo, de uma época em que não havia enormes populações concentradas – só alguns grupos de nômades caçadores aqui e ali. Nesse cenário era importante não causar a morte do hospedeiro, pois dificilmente encontraria outro.

Quando o homem começou a praticar a agricultura e a pecuária, possibilitou o surgimento de aglomerações de seres humanos nos primeiros povoados. E isso, por sua vez, permitiu a evolução dos vírus letais: com uma ampla oferta de humanos, passou ser possível matar o hospedeiro e pular direto para o próximo. “Vômito, diarreia e espirros são alguns dos principais mecanismos de transporte dos vírus entre os hospedeiros. É por isso que que eles se especializaram em provocar esses sintomas”, argumenta Vanessa.

Vacina

Geralmente, conforme uma doença viral se espalha mais pessoas se tornam imunes a ela, pelo simples fato de terem tido contato com o vírus e terem desenvolvido imunidade. Esse é o mesmo princípio para a utilização das vacinas, que são desenvolvidas para estimular o sistema imunológico a desenvolver células de defesa sem que o indivíduo adoeça. A vacinação em massa promoveu o controle de doenças com alta capacidade de contágio, como o sarampo.

Acontece que os vírus têm a habilidade de sofrer mutações com frequência levando ao surgimento de novos subtipos, o que compromete a eficiência das vacinas, que são preparadas para combater tipos específicos de microrganismos. O vírus HIV, por exemplo, possui um ciclo de alta complexibilidade no organismo e uma alta taxa de adaptação, sendo capaz de alterar seus componentes e tornar-se irreconhecível, de acordo com a biomédica do DMS Burnier. “A célula específica atacada pelo vírus do HIV é, justamente, uma das células de defesa do sistema imunológico, as células T, tornando difícil para o organismo produzir anticorpos efetivos contra ele. Além de que, a capacidade de mutação do HIV é extremamente alta, podendo o vírus apresentar proteínas diferentes entre duas pessoas infectadas, o que dificulta a criação de uma vacina.”

Alguns vírus têm como característica o fato de serem mais instáveis e sofrerem mais mutações que outros e, assim, dar origem a novas combinações virais, o que também dificulta a imunização. "Imagine que o nosso organismo tenha entrado em contato com um vírus X, então nossas células identificaram aquele código genético e começaram a produzir anticorpos contra ele, e então, no meio de umas das suas replicações, um gene sofre uma mutação. Esse gene acaba se tornando irreconhecível para aquela célula de memória que nosso organismo acabou de produzir e, nosso sistema imune não o reconhece," exemplifica Vanessa ao explicar que é por culpa dessas pequenas mudanças que todos os anos precisamos de novas vacinas para a gripe.

Álcool em gel e água e sabão

Por estar sempre em contato com objetos contaminados, as mãos sujas são as principais portas de entrada para uma infinidade de vírus no organismo e, de acordo com a biomédica do DMS Burnier, sempre que levamos a mão à boca, olhos ou nariz sem higienizá-las, corremos o risco de desenvolver alguma doença. “Os produtos usados para a higienização das mãos como o álcool em gel ou mesmo a água com sabão possuem componentes capazes de quebrar as estruturas das paredes dos microrganismos e, assim, prejudicar a sua ação no organismo humano. Por isso que manter as mãos sempre limpas é muito importante no combate a disseminação de vírus e outros microrganismos.”