Thiago Soratto, candidato a prefeito pelo PT é um de nossos entrevistados

Thiago Soratto, candidato a prefeito pelo PT é um de nossos entrevistados

Thiago Soratto, presidente do PT de Valinhos e candidato a Prefeito
Thiago Soratto, presidente do PT de Valinhos e candidato a Prefeito

RAIO X

Nome - Thiago Soratto

Idade - 31 anos 

Partido - PT

Formação - Bacharel em Direito

 

O que importa na política institucional é o projeto e um projeto que tenha essa descentralização, que rompa com essa lógica de personalismos, de personalidades, daquelas figuras dos salvadores da pátria. 

 

Quem é o candidato e qual a sua trajetória política?
Sou Presidente do Partido dos Trabalhadores e estou candidato a Prefeito. Sou jovem, tenho 31 anos, sou bacharel em Direito. Mas nós do PT estamos fazendo uma disputa daquilo que é a Administração Pública valinhense, do que é a política valinhense e nós identificamos um problema gravíssimo: é o personalismo político. Então diria que quem é o Thiago não é algo tão importante assim. Eu tenho minha trajetória política desde os 16 anos de idade. Vim do Movimento estudantil. Fui Presidente de Centro Acadêmico das Faculdades que estudei. Sou filiado do Partidos dos Trabalhadores. Nunca mudei de partido nem nunca mudarei de partido. Construo o Partido dos Trabalhadores todos os dias da minha vida. Mas isso tem menor importância quando a gente fala sobre a política institucional porque para a política institucional pouco importa minha personalidade. O que importa na política institucional é o projeto e um projeto que tenha essa descentralização, que rompa com essa lógica de personalismos, de personalidades, daquelas figuras dos salvadores da pátria. 

Por que o candidato quer ser Prefeito de Valinhos?
Todos nós somos políticos e a diferença entre nós é que eu sou filiado a um partido e estou disputando o cargo de prefeito. Todos nós temos a capacidade de exercer a política, a cidadania, discutir os problemas da cidade, cada qual a sua maneira, cada qual com seu viés político porque a gente constrói a política na divergência. A política qualificada é construída com base na divergência nesse processo dialético. Estou disputando a Prefeitura com um projeto de radicalização da democracia e de participação popular. Antes de mim tenho um grande projeto do Partido dos Trabalhadores. Tenho muito orgulho do Plano de Governo que escrevemos a várias mãos. Foi construído ao longo de 4 anos de análise e de crítica da sociedade valinhense  desde a última eleição até aqui... Nós não somos 2 aventureiros. O Victor, assim como eu, milita no Partidos dos Trabalhadores desde os 16 anos de idade. Victor é um grande amigo, companheiro, tenho muito orgulho de ter um vice que divide fala comigo. Ele está qualificado, pois é um geógrafo em formação na maior universidade da América Latina que é a Unicamp. Nós temos uma compreensão política que foi construída ao longo de muitos anos. Não caímos de paraqueda. A gente sabe exatamente do que está falando, a gente sabe das propostas que formulamos e a gente sabe como formular propostas através da participação popular.

 Quais são as suas principais propostas para a cidade?
Com a Pandemia tudo mudou. A pandemia deixou nossa população num cenário caótico. Temos pessoas passando fome na cidade. Então nós dividimos nosso Plano de Governo em 2 etapas: 1) Plano Emergencial para 2021, que são medidas concretas que têm ser aplicadas em 2021 para cuidarmos das pessoas. Temos um pacote de medidas emergenciais. Posso destacar: a) Nova estrutura administrativa da Prefeitura, propomos a redução de 15 para 10 secretarias; b) Moeda Social Jequitibá e o Banco Comunitário, projeto implantado em um município do Tocantins muito precário. É uma lógica de circulação no município e de crédito para comerciantes, pequenos empresários. Os empresários do centro da cidade sofreram muito com a inércia do poder público valinhense e nenhum dos 17 vereadores foram capazes de entregar uma proposta para preservar emprego e nossa capacidade produtiva, de serviços e de comércio; Nós apresentamos um Plano no dia 15 de março, mas foi ignorado; c) Segurança alimentar. Valinhos tem produção rural, produzimos hortaliças e frutas... a gente propõe uma revolução completa nessa lógica de atravessadores e desse modelo de administração pública. A gente vai tirar os atravessadores e fazer uma análise criteriosa desses contratos milionários com uma única empresa e o que for possível para reverter para o modelo cooperativista... as outras propostas são transição ecológica, setorizar a saúde, e todas as propostas sempre com a participação popular....        

 O momento político do PT e da esquerda não é bom no Brasil. Como você está enfrentando esse momento?
O Partido dos Trabalhadores trabalha muito bem essa questão de formação política, de diagnósticos políticos tanto é que nesse ano o Partido dos Trabalhadores foi o único partido do Brasil a fazer uma jornada nacional de formação voltada para aqueles que disputam cargos no município. Nos colocamos a disposição da população. Somos nós que saímos nas ruas. A gente não tem equipe de contratados, marqueteiros que falam por nós.

 Historicamente o PT não alcança votação expressiva em Valinhos. O que você pretende fazer para mudar esse cenário?
O Partido dos trabalhadores tem 40 anos, Partido que foi Governo Nacional por 4 gestões seguidas, transformou a vida de milhões de brasileiros e tem o dever histórico de disputar as eleições. O PT sempre disputou eleições no município de Valinhos. Em 1982 disputamos a primeira eleição com Eriberto Pozuto e Rita Marchiori, primeira chapa paritária da história, e eles eram mais jovens do que eu. Infelizmente em 2016 nós erramos. O Partido dos Trabalhadores tomou caminhos equivocados porque serviu a projetos pessoais de poder. O PT passou por 2 longos períodos que tinha donos: Lorival e Tonetti. Eles não tinham projetos para cidade. Eles têm projeto de poder pessoal. Tanto é que hoje vemos os 2 disputando eleição do outro lado do espectro político, na direita. Lorival está no PSL e o Tonetti está no PDT. Em 2016 cometemos esse erro e esse erro decorre de uma covardia generalizada que ocorreu em nosso país quando estávamos passando por um momento difícil. Mas quando passamos por momentos difíceis a gente não abandona o barco. A gente fica para lutar. Nós que ficamos nesses anos trabalhando e corrigindo o rumo do partido nós ficamos para lutar, para apresentar nosso projeto e defender um legado do PT na cidade. O PT nunca foi Governo em Valinhos, mas a gente consegue defender nosso legado aqui. Principalmente agora em época de Pandemia. O equipamento público que deu respostas para a Pandemia foi a UPA que foi construída através do Ministério da Saúde do nosso Ministro Alexandre Padilha no Governo Lula... O PT é um partido absolutamente democrático que pode ter divergência interna e dentro desse processo eu fui escolhido para representar esse projeto. É um dever histórico apresentar um projeto no pior ano de nossas vidas nos 124 anos de história de Valinhos.

 No Plano de Governo, o candidato fala que Valinhos tem vocação industrial, produção rural e turística. Como equilibrar essas 3 áreas?
No Plano a gente diz que Valinhos tinha. Mas Valinhos sufocou essas 3 vocações Estamos no centro da cidade e aqui tem 3 indústrias. Quantas cidades tem indústrias no centro? Nenhuma. Ou seja, tínhamos fortíssima vocação industrial. Mas deixamos as indústrias irem embora. Nós rejeitamos plantas industriais como a Motorola, por exemplo. Nós sufocamos a nossa parte industrial. Nossa atividade agrícola também sufocamos. A gente avançou com a área urbana  ignorando os vazios que temos para ocupar essas áreas. Verticalizamos ao lado de plantações. Construímos uma lógica de cidade que é inviável. Não temos água para abastecer a população. Tanto que passamos por uma crise hídrica. Nós sufocamos nossa vocação turística. Nós, valinhenses, não ficamos em Valinhos. A gente vai se divertir em outra cidade. Então não há o que harmonizar. A gente precisa reconstruir.     

 No Plano de Governo, fica claro o tema da Campanha: Revolução. Na prática o que significa essa revolução?
Falamos em inversão da ordem. Quem vai decidir os rumos da Administração Pública não será Thiago. Quem vai decidir será Thiago, Victor, Esmael e toda população de Valinhos indo lá, discutir e sendo protagonista desse processo político que a gente quer construir, desse grande movimento. E é possível fazer isso com a Legislação que nós temos e nós provamos isso em nosso Plano de Governo.    

Deixe uma palavra para os eleitores.   
Existe um eleitorado que se identifica com a pauta de esquerda. De 2012 para cá nosso voto de esquerda compreende cerca de 16 mil pessoas. Nunca foi suficiente para eleger um prefeito.  Curiosamente em 2020 pode ser que aconteça porque há uma cenário de fragmentação. Somos o único partido da esquerda. As demais candidaturas disputam na direita. Nós somos a única candidatura de esquerda, com projeto de esquerda que honra as tradições socialistas, honra nossas bases teóricas de emancipação popular.... Queremos ganhar; vamos disputar para ganhar; pode ter certeza que estou disputando para ganhar. O Partido dos Trabalhadores está disputando para ganhar. Mas se não ganharmos, no dia 16 estaremos fazendo política por fora das instituições.