Ingrid Soto vai virar história em livros didáticos por todo o país

Ingrid Soto vai virar história em livros didáticos por todo o país

No livro dos professores terá uma nota de orientação para que os educadores incentivem seus alunos a entrar em contato com a Ingrid Soto para ajudar na campanha de brinquedos e livros em prol das crianças refugiadas que chegam Brasil
No livro dos professores terá uma nota de orientação para que os educadores incentivem seus alunos a entrar em contato com a Ingrid Soto para ajudar na campanha de brinquedos e livros em prol das crianças refugiadas que chegam Brasil

Aos 17 anos, a ativista pacifista e cantora Ingrid Soto vai virar história nos livros didáticos da Rede Pública de Ensino de todo o país. O convite, feito pela Editora Saraiva, foi aceito pela jovem com grande entusiasmo e a partir de 2020, alunos do 4º ano do Ensino Fundamental terão a oportunidade de conhecer a trajetória da adolescente, que com apenas dez anos iniciou seu trabalho voluntário na cidade de Valinhos, com apoio da ONU e Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

“Confesso que achei que um dia meu nome poderia estar nos livros de história. Porém, achei que isso só aconteceria quando eu fosse adulta, em um futuro muito distante”, conta.

No livro dos professores terá uma nota de orientação para que os educadores incentivem seus alunos a entrar em contato com a Ingrid Soto para ajudar na campanha de brinquedos e livros em prol das crianças refugiadas que chegam Brasil.

Nascida em São Paulo, Ingrid se mudou para Valinhos ainda pequena. “Aos 10 anos eu estava na EMEB Cecília Meirelles e ouvi falar das Nações Unidas em uma aula. Quando cheguei em casa, coincidentemente, o noticiário falava sobre uma ação da ONU para ajudar crianças refugiadas. Na época eu só podia usar o computador por uma hora por dia e decidi que utilizaria o meu tempo para entrar em contato com a ONU. E foi o que eu fiz”, relata a jovem.

Ingrid conta que enviou um e-mail em formato de carta falando sobre seu desejo de ajudar. “Falei que queria fazer parte, ajudar de qualquer forma, com minha música inclusive. Escrevo letras com mensagens de paz desde os 9 anos e cheguei a enviar uma para eles. Alguns meses depois, para a minha surpresa, recebi uma ligação do Palácio do Itamaraty informando que a ONU havia recebido um e-mail e eles gostariam de saber mais sobre mim. Foi muito gratificante”, diz Ingrid.

Ainda em 2012, a jovem deu início a uma campanha para arrecadação de brinquedos em sua escola, com o intuito de doá-los para crianças refugiadas. “Em 2012, arrecadamos mil brinquedos. Em 2015, esse número chegou a 10 mil. Em 2016, 100 mil. Já em 2018 e 2019, a somatória chegou a 2,5 toneladas de brinquedos doados”, revela Ingrid. Além de amigos e pessoas dispostas a ajudar, Ingrid passou a contar com a ajuda de empresários, fábricas de brinquedo e até uma transportadora que se disponibilizou a retirar e entregar as doações em qualquer lugar do Brasil.

Os livros didáticos com a história de Ingrid serão utilizados a partir de 2020. “É uma grande honra saber que poderia servir de inspiração para outras crianças e também que posso levar de alguma forma o nome de Valinhos para o país”. Após concluir o 3º ano do Ensino Médio – o que deve acontecer no final deste ano – a jovem tem novos objetivos: “Quero estudar Ciências Sociais ou Relações Internacionais. Porém, tenho certeza que continuarei trabalhando para ajudar sempre o maior número de pessoas possível. Essa é minha meta de vida”, finaliza.