ENTREVISTA: Silvana Mara Miranda, Coordenadora do Programa Família Acolhedora

ENTREVISTA: Silvana Mara Miranda, Coordenadora do Programa Família Acolhedora

“As Famílias Acolhedoras têm a oportunidade de quebrar o ciclo de violência sofrida por essas crianças”
“As Famílias Acolhedoras têm a oportunidade de quebrar o ciclo de violência sofrida por essas crianças”

RAIO-X
Nome completo: Silvana Mara Miranda
Coordenadora do Programa Família Acolhedora
Idade:55
Formação; Assistente Social Especialista em Infância e Violência Domestica contra a Criança e Adolesceste

“As Famílias Acolhedoras têm a oportunidade de quebrar
o ciclo de violência sofrida por essas crianças”

Há cerca de um ano, a assistente social Silvana Mara Miranda enfrenta um grande desafio: coordenar o funcionamento do Programa Família Acolhedora, uma modalidade de acolhimento temporário, previsto no Estatuto da Criança e Adolescente como medida de proteção para crianças e adolescentes que tiveram seus direitos violados. Por meio do Programa, famílias são cadastradas e habilitadas para receber crianças garantindo sua convivência familiar e comunitária. Em entrevista à Folha de Valinhos, Silvana fala sobre o funcionamento do Programa em Valinhos e relata quais as principais dificuldades para colocá-lo em prática.

Como ele funciona em Valinhos?
Em Valinhos este Serviço é um Programa da Casa da Criança e do Adolescente em Parceria com a Secretaria Municipal de Valinhos que tem por objetivo cadastrar, selecionar, capacitar, e acompanhar famílias acolhedoras, bem como realizar o acompanhamento da criança/adolescente acolhido e sua família de origem.

O número de famílias cadastradas no Programa atende à demanda de crianças/adolescentes ou existe um déficit?
Existe sim um déficit, pois o número de vagas para o município é de 15 famílias Acolhedoras e hoje temos apenas 7 famílias, mas comparando a outros municípios, do mesmo porte de Valinhos, diria que temos um número expressivo, porém necessitamos aumentar esse número.

Hoje, quantas crianças/adolescentes são atendidas pelo Programa em Valinhos? 
Hoje atendemos 7 crianças, entre as que estão em acolhimento e acompanhamento preventivo, já reintegradas à família. As crianças continuam sendo acompanhadas pelo serviço no mínimo seis meses, após o desacolhimento.

Qual a principal dificuldade enfrentada para colocar o Programa em prática?
A adesão de novas famílias interessadas em acolher temporariamente crianças e adolescentes em suas residências.

Qual a importância que essas famílias têm na vida das crianças que são acolhidas?
As Famílias Acolhedoras têm a oportunidade de quebrar o ciclo de violência sofrida por essas crianças, dando a elas um novo referencial de cuidado, amor e proteção, que foram privadas.

Quais são os pré-requisitos para que uma família possa fazer parte do Programa?
Ter um coração doador, e vontade de fazer a diferencia na vida de uma criança. Todos os membros da família precisam querer estar no programa, entendendo que tem um caráter provisório, ou seja,  caso essa  criança  não possa retornar para sua família de origem ou extensa será feita a busca de uma família no cadastro nacional de adoção e não no cadastro de famílias acolhedoras.

Por que as famílias devem se cadastrar no Programa?
São as Famílias Acolhedoras que vão fazer a diferença para sempre na vida das crianças e adolescentes, quebrando o ciclo da violência vivenciada nesse importante período da vida. Percebemos claramente que as crianças em famílias acolhedoras conseguem resinificar os sentimentos e situações de violência, que sofreram, quando essas crianças têm a oportunidade de ter uma convivência familiar e comunitária saudável.

DEPOIMENTO

Inscrita no Programa da Família Acolhedora, Célia Eunice conta que a experiência de cuidar de uma criança foi a mais emocionante da sua vida. “Eu pude ter a experiência de ser mãe por um período intenso e senti que essa convivência foi fundamental para o desenvolvimento da criança e consequentemente para o meu também. Agora, junto a sua família de origem, ainda posso acompanhar com orgulho o crescimento seguro dela”.

Célia Eunice manda um recado para as pessoas que ainda não tiveram essa vivência. “Não tenha medo de doar o seu tempo e seu amor, com desprendimento e dedicação. É altamente gratificante, indescritível, e faz de qualquer ser humano uma pessoa muito melhor e mais feliz.”

 

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