André e Miguel: pai e filho unidos por um diagnóstico em comum

André e Miguel: pai e filho unidos por um diagnóstico em comum

André Luis e André Miguel, ambos foram diagnosticados e ajudam outras famílias a enfrentarem o Transtorno
André Luis e André Miguel, ambos foram diagnosticados e ajudam outras famílias a enfrentarem o Transtorno

André Luis e André Miguel são pai e filho. André tem 49 anos, Miguel tem 13. Além dos traços e da personalidade, os dois dividem mais uma característica em comum: o Transtorno do Espectro Autista (TEA). O diagnóstico do pai, contudo, só veio agora, há pouco mais de 4 anos, logo após o diagnóstico do filho.

Em casa, a união dos dois é inspiradora. É o que diz Gisele Vaquez, mãe e esposa. “Eles se respeitam e apoiam um ao outro nos momentos de insegurança ou fraqueza, sabendo sempre que ao redor deles, em casa, há toda a base de amor, carinho e respeito para se apoiarem”.

Gisele conta que a investigação de Miguel começou quando ele tinha cinco anos. E o que pode parecer um tormento para muitos, para eles, o diagnóstico positivo veio como um presente. “O diagnóstico veio na verdade como um alívio, pois ambos viviam descriminação em diversos lugares. O Miguel da escola e o André no mercado de trabalho e com toda família, pois seus pais e parentes não entendiam suas limitações. Então, quando eles descobriram que eram autistas e como deveriam lidar com isso, tudo ficou mais claro, mais fácil”, conta Gisele.

Mas a história de André e Miguel não para por ai. Para ajudar outras pessoas que enfrentam dificuldades relacionadas ao TEA, a família decidiu ir além e fundou a Associação de Pais e Amigos dos Autistas (APAA) Balão Azul. Hoje, através da APAA, André se dedica a ajudar outros pais a enfrentarem as dificuldades. “Meu trabalho é mostrar para outros pais que com amor, carinho e muita paciência e disposição podemos criar nossos filhos para ter uma vida o mais próximo da normalidade, entendendo e aceitando suas limitações, mas tentando vencer todas as barreiras”, diz.

André, que é presidente da APAA, explica então que a Associação veio da necessidade de, em primeiro lugar, quebrar o preconceito. “Nós percebemos todos os dias o preconceito que começa dentro de casa, na própria família, e quisemos mostrar o Autismo de forma tranquila, de como lidar com ele, e levando os pais a perceberem os sintomas e procurar um diagnóstico o mais rápido possível. Com o passar dos anos,  percebemos que os Autista crianças eram encaminhados pra Apae, Acesa e Caps I, porém nós pais não éramos acolhidos, não tínhamos onde receber aquele carinho e alguém pra sentar, nos ouvir e saber do que precisávamos. Então, o Balão Azul veio com essa proposta de acolhimento mais humanizado, atender pais a qualquer horário”.

Para a família e para todos os atendidos pela APAA Balão Azul, os laços de pai e filho entre André e Miguel são inspiração. Uma trajetória que serve de exemplo e apoio para outras dezenas de famílias. Sobre o filho, André responde: “Nossa relação tem a conexão de entendimento, doação, amor e união, fazendo com que todas as barreiras e dificuldades sejam superadas, fortalecendo assim a nossa caminhada. O amor entre um pai e um filho transcende, é algo mágico e no nosso caso que a confiança é tudo, essa sintonia é única. Meu filho, meu amor maior.”

Para Miguel? “Ele é o melhor pai do mundo”.