Atletas valinhenses falam das dores e sabores de enfrentar uma Ultramaratona de 235 km

Atletas valinhenses falam das dores e sabores de enfrentar uma Ultramaratona de 235 km

No último final de semana prolongado em função do feriado da Proclamação da República, enquanto a maioria dos valinhenses ou descansava em casa ou curtia um passeio pelas montanhas ou praia, dois atletas determinados – Marcos Medeiros – 50 anos – e Marcos Pereira, 57, após meses de preparo estavam em Minas Gerais para enfrentar os 235 km da Ultramaratona Internacional dos Anjos – UAI – edição 2021 – que teve largada e chegada na cidade de Passa Quatro.

Foram três dias e três noites de prova – a maior parte dela sem dormir – disputada nas cidades cortadas pela Serra da Mantiqueira em Minas. Com largada às 8 horas da manhã do dia 13 na cidade de Passa Quatro e chegada prevista para todos os competidores até as 22 horas doi dia 15 também em Passa Quatro.

Marcos Medeiros, completou a prova em 52 horas e 30 minutos, ficando em 2º lugar na classificação geral. Já Marcos Pereira com lesões na coxa e no joelho optou por deixar a prova na noite de domingo, dia 14, após ter percorrido 210 quilômetros, mas não tinha mais condições físicas de enfrentar os 25 km restantes.
Após terem se recuperado da exaustão ocasionada mãe de todas as ultramaratonas, Medeiros e Pereira falaram à Folha de Valinhos sobre a experiência de colocar o corpo a prova. Confira abaixo as entrevistas.

Marcos Medeiros

FV o que te levou a participar dessa ultramaratona?
Quando a corrida se torna um vício a maioria dos corredores querem sempre estar se superando. Eu já havia participado de várias Ultras e achei que estava na hora de encarar a Mãe das Ultras no Brasil.

FV Em que pese o desgaste físico, emocional e o cansaço, qual a sensação de cruzar a linha de chegada?

O desgaste físico pode chegar logo ou pode demorar a chegar, isso vai depender muito de como está a alimentação e hidratação do corredor. O emocional no meu caso é se eu começar a ver muitos corredores desistindo da prova, isso abala um pouco. O cansaço é inevitável mas é nesta hora que você não pode esquecer que treinou para estar ali. Sensação de cruzar a linha de chegada é a pergunta que pra mim não tem resposta em palavras. É um mix de emoções misturado com eu consegui, valeu a pena, só quem completa um desafio desse sabe a sensação.

FV Qual o momento mais crítico- difícil da prova? Chegou a pensar em desistir?

Nesta prova foram alguns. No Km 60 mais ou menos eu estava tendo ameaças de câimbras e eram frequentes e seria impossível completar a prova se a câimbra viesse. Por um milagre Divino encontrei a Mariana que é Fisioterapeuta e me atendeu fazendo um procedimento com agulhas e me colocou de volta na prova. Depois tive um teste de extrema dificuldade na subida do Pico do Papagaio que foi uma subida sem fim.  Ali disse pra mim mesmo, depois da subida. (Tenho que finalizar essa prova). E graças a Deus completei.

FV qual é o próximo desafio?

Próximo desafio será convencer a minha mulher e os amigos do apoio deixar eu fazer outra dessa. Brincadeiras a parte eu tenho prova difícil só em Abril 22, 28 praias 42 km.

FV que conselho daria a quem quer começar a correr?

Vá a um médico faça exames e comece a andar e aos pouquinhos dar uns trotes, não queira chegar ao segundo km sem antes fazer o primeiro. Corrida é insistência.

 

Marcos Pereira

FV O que te levou a participar dessa ultramaratona?

A acredito que é desafiar me superar ser diferente

FV Em que pese o desgaste físico, emocional e o cansaço e as lesões na coxa e no joelho. Estava tão perto de cruzar, como é tomar una decisão tão difícil como a que você teve que tomar?

A lesão acredito que foi no Km 120 na montanha não me lembro o nome agora. E que tenho dificuldade em altura por ter asma acredito que o ar fica mais difícil de filtrar. E devo ter perdido a concentração e escorreguei onde as duas lesões foram no mesmo momento. Bati o joelho Esquerdo e dei um estiramento na coxa Direita e ainda quebrei a tela do celular. E tomar a decisão de parar foi por stress emocional. No km 200 já não conseguia mais andar sentia as pernas travadas com tonturas vômitos mesmo assim cheguei no Km 210. Acredito que a tontura e vomito seria muito analgésico que tomei no percurso.

FV Tirando a desistência, houve algum outro momento crítico- difícil da prova?

Não sei se seria critico no km 124 já quase no final da montanha. Eu estava ofegante sentia meu coração bate muito rápido. Parei para desacelerar deitei e apaguei não sei por quanto tempo no meio da estrada de pedra. Quem me acordou foram dois atletas que estavam no percurso.

FV quantas horas dormiu dentro do período de prova?

Eu não dormi tive esse apagamento

FV Qual é o próximo desafio?=

O próximo desafio será maresia Bertioga 75 km dia 11 de dezembro

FV que conselho daria a quem quer começar a correr?

Nao sei dar conselho

 

+ Fotos: