Lava Jato: após crise, subprocuradora retira candidatura do Conselho Superior da PGR

Lava Jato: após crise, subprocuradora retira candidatura do Conselho Superior da PGR

Gil Ferreira/Agência CNJ

Subprocuradora-geral da República Lindora Araujo
Subprocuradora-geral da República Lindora Araujo

Após protagonizar uma crise com membros da Lava Jato a subprocuradora-geral da República Lindora Araujo anunciou a retira da sua candidatura ao Conselho Superior da PGR. O órgão tem poder máximo de deliberação sobre a gestão do Ministério Público Federal. A informação foi confirmada pela PGR.

A eleição acontece na próxima terça-feira (30) e deve escolher dois nomes para o conselho.Na última semana os votos estavam abertos a toda a categoria de procuradores e foram eleitos dois adversários do procurador-geral da República Augusto Aras. Agora votam o colégio de subprocuradores-gerais da República, último grau da carreira.

Lindora é coordenadora do grupo da Lava-Jato da PGR e uma das auxiliares de Aras, que apoiava sua candidatura para ampliar sua base de apoio no Conselho Superior.

Apesar de confirmar ao Congresso em Foco a retirada da candidatura, a PGR não deu detalhes sobre a razão pela qual Lindora desistiu do pleito.

O jornal O Globo, no entanto, teve acesso a mensagens internas da procuradoria onde Lindora afirma que “em razão de inúmeras atividades que venho exercendo, resolvi retirar minha candidatura ao CSMPF pelo colégio de subprocuradores. [... ] Aproveito ainda para agradecer todo o carinho recebido, que tem um significado muito especial.”

Apesar de não citar o entrevero com a equipe da Lava Jato, o tema fez a PGR elevar o tom no tratamento dispensado aos membros da equipe da operação. Na manhã deste domingo (28), a procuradoria soltou uma nota afirmando que mesmo com êxitos obtidos e reconhecidos pela sociedade, a operação “não é um órgão autônomo e distinto do Ministério Público Federal (MPF), mas sim uma frente de investigação que deve obedecer a todos os princípios e normas internos da instituição”.

Na sexta-feira, dia 26, a visita de Lindora ao Ministério Público em Curitiba gerou revolta dos lavajatistas. Eles alegam que a diligência no QG da operação no Paraná tinha o objetivo de acessar arquivos da equipe e a atitude foi vista como um risco para as investigações. Os membros da Lava Jato acionaram a Corregedoria do Ministério Público Federal.