Boneca Momo deixa pais em alerta sobre conteúdos online assistidos por crianças

Boneca Momo deixa pais em alerta sobre conteúdos online assistidos por crianças

Após provocar pânico pelo WhatsApp, o desafio da boneca Momo está de volta. Desde o mês passado, estão circulando nas redes sociais vídeos infantis que, de repente, são cortados e substituídos pela imagem que foi associada ao conteúdo, ameaçando e dando ordens de automutilação. Os relatos afirmam que as imagens foram capturadas do YouTube Kids, aplicativo criado para menores de 13 anos. O problema, contudo, é que o alvoroço, que se reflete em buscas na internet, está impulsionando esse conteúdo on-line, tornando-o mais acessível para as crianças.

Uma das primeiras denúncias sobre o tema foi feita por pediatras, que também são pais e mães que administram o blog pedimom.com, de acordo com relato do jornal The Washington Post. Em um dos casos, inserida no conteúdo original de um desenho animado, há uma gravação na qual um homem dá instruções sobre como cortar os pulsos. Em determinado momento, ele ressalta às crianças que cortes longitudinais são mais eficazes.
Essa não é a primeira vez que conteúdos impróprios para crianças causam alvoroço na Internet. Entre 2017 e 2018, outro desafio semelhante assustou pais: o jogo da baleia azul. Trata-se de um game online que em teoria promoveria que jovens se machucassem em desafios como “se cortar”, “se jogar do teto de uma casa” etc., até a fase final de “se matar”.

Sobre a Momo, a psicóloga Maria Fernanda Cyrino reforça que é recomendável que os pais conversem com seus filhos sobre o tema através de uma comunicação clara e objetiva. “Recomendo que os pais digam que não é para conversar com esta imagem porque ela não quer fazer o bem para as crianças e que toda vez que ela aparecer é importante chamar o adulto mais próximo”, afirma a profissional.

Maria Fernanda ressalta ainda que é preciso tomar cuidado para não exagerar na comunicação, evitando o sentimento de pavor, o que também não é saudável para a o desenvolvimento emocional dos pequenos. “É muito importante que os pais fiquem atentos ao tempo de uso dos eletrônicos bem como os conteúdos acessados. O indicado é que sejam assistidos antes por eles para depois ser autorizado para a criança. Também vale lembrar que se os conteúdos têm censura é necessário que se cumpra. Muitas vezes o programa pode se mostrar genuíno de maneira geral, mas pode afetar a criança em desenvolvimento que ainda não está madura emocionalmente para diferenciar o real do imaginário”, explica a psicóloga.

A publicitária Priscila de Menezes, mãe de Lara e Laís (6 meses e 4 anos, respectivamente) conta que a boneca Momo apareceu em um clipe do “Baby shark dance”. “Conversei com ela sobre o assunto e perguntei se já tinha visto. Ela me disse que sim, mas que ficou com medo e desligou o aparelho celular”, relata.

Após o aparecimento da boneca, Priscila decidiu tomar uma atitude mais drástica. “Eu deletei o aplicativo do YouTube da TV e do meu celular que ela usa às vezes. Agora minha filha só assiste Netflix, que contém os desenhos e programas que ela gosta com um conteúdo bem mais controlado”, diz a publicitária.

Ana Paula Santos é mãe de Isabella, de 15 anos, e Manuela, de 9. “Minha preocupação neste caso é a menor. Já conversei com ela sobre o assunto, mas ela ainda não se deparou com a aparição da boneca. Tenho supervisionado todo conteúdo assistido por ela e já recomendei que, caso apareça, ela deve sair do vídeo e me chamar”, diz.

Quando aos adolescentes, a psicóloga ressalta que é importante que os pais, sempre que tiverem a oportunidade, conversem com seus filhos sobre o que eles estão assistindo. “É fundamental fazê-los refletir para ajudá-los a serem críticos em relação ao que ouvem e veem nas redes sociais e nos canais do Youtube. Quanto a crianças, priorizar o brincar e colocar limites ao uso do eletrônico permitirá que seus filhos tenham uma vida mais saudável”, finaliza.

Para mais instruções sobre o tema, Maria Fernanda indica a leitura do livro "Como proteger seus filhos na internet" - um guia para professores e pais, de Gregory S. Smith.