“É possível ter refeições vegetarianas de baixo custo”, afirma jovem empresária

“É possível ter refeições vegetarianas de baixo custo”, afirma jovem empresária

Juliana Caruso Soares e Lucas Guedes, da empresa Quitutes de Flor
Juliana Caruso Soares e Lucas Guedes, da empresa Quitutes de Flor

Há seis anos, Juliana Caruso Soares e Lucas Guedes Vieira decidiram investir em um sonho: trabalhar com cozinha vegetariana. Hoje, a empresa Quitutes de Flor, criada pelo jovem casal, comercializa em média 400 marmitas por semana.

Tudo começou em 2013, quando eles se conheceram. Lucas havia terminado o curso de Ecologia e era professor de uma escola agrícola. Juliana cursava o quarto ano de engenharia ambiental.

Em 2014, ele saiu da escola e começou a vender salgados e doces na feira do produtor rural, em Rio Claro (onde fizemos a faculdade). Ele sempre gostou de cozinhar. Eu, finalizando a faculdade, sem ter gostado muito do curso e sem saber qual rumo seguir na profissão, comecei a ajudá-lo na cozinha”, conta Juliana.

Com o tempo, a venda de salgados deu lugar às marmitas vegetarianas, hoje carro-chefe da Quitutes de Flor.  “O interesse pela cozinha vegetariana surgiu durante a faculdade, já que nossas formações são ligadas à área ambiental, e faz com que nos preocupemos de fato com o impacto que nossa alimentação gera no meio ambiente”, afirma a jovem de 29 anos. 

Atualmente, além das marmitas vegetarianas e veganas congeladas, a empresa também oferece outros quitutes como granolas, geleias, salgados, relish, patês e pães. “Alguns produtos temos sempre fixos no cardápio semanal, outros são direcionados a eventos, como coffe break e festas”, ressalta Juliana.

Quebrando paradigmas sobre o alto custo das refeições vegetarianas, Juliana e Lucas comercializam marmitas que variam entre R$ 8 e R$ 16. “Podemos sim ter uma dieta vegetariana de baixo custo. Por exemplo, se você for na feira do produtor rural de Valinhos, que acontece às quartas-feiras no CACC, você vai ver que com pouco dinheiro é possível comprar muitos alimentos e ter uma refeição bastante diversificada. Alguns itens como castanhas, quinoa e outros, podem encarecer a refeição, mas estes itens não são obrigatórios nas refeições diárias”, reforça Juliana. 

A engenheira ambiental ressalta que o os produtos industrializados são realmente mais caros. “Isso porque as marcas se aproveitam da baixa oferta deste tipo de produto para cobrar preços mais abusivos. Entretanto, vale lembrar que tudo o que não tem carne no prato (peixe frango , porco, vaca etc.) é uma refeição vegetariana. Assim, para ter este tipo de dieta, não é preciso comprar produtos industrializados caros, basta olhar para a grande diversidade de vegetais, grãos e leguminosas a que temos fácil acesso”.

Sobre os desafios enfrentados pelo caminho, a jovem conta que, apesar do ato de cozinhar ser  a parte mais trabalhosa, o companheirismo e a paixão pelo trabalho tornam tudo muito mais simples. “Nosso maior desafio sempre foi o de encontrar meios de comercializar nossos produtos, acredito que por sermos pessoas tímidas. Quando ainda frequentávamos a feira as vendas eram bem fracas, as pessoas não tinham tanto interesse em comprar alimentos vegetarianos. Então, encontrar qual a melhor opção de produto para oferecermos e para qual público foi um desafio. Foi aí que surgiu a ideia de marmitas congeladas”, conta.

Quanto aos benefícios de consumir comida vegetariana, a jovem empresária reforça que ser vegetariano não é necessariamente sinônimo de boa alimentação. “Podemos comer pizza de queijo todos os dias, sermos vegetarianos, mas displicentes com nossa saúde. Assim, a alimentação vegetariana, vegana e também a onívora, deve ser fundamentada no equilíbrio e diversidade do que consumimos diariamente (frutas, verduras, legumes, grãos, leguminosas castanhas etc)”.

Para Juliana, outra prática importante para uma boa alimentação é conhecer a origem dos alimentos consumidos. “É importante saber de onde vem, quem planta e etc. Frequentar feiras livres é um ótimo jeito de se descobrir isso. Evitar consumo de produtos industrializados, e consumir mais alimentos e temperos frescos, e quando possível, orgânicos e da agricultura familiar”.

Para garantir segurança nos serviços durante a pandemia, o casal adotou algumas medidas. “Usamos máscaras durante as entregas – mesmo antes de ser obrigatório - tanto para nossa proteção e como do cliente. Maquininha de cartão e embalagens também são higienizados a todo momento. Na cozinha, por sermos só nós dois trabalhando, o controle com a manipulação dos alimentos e equipamentos é maior. Mas, mesmo assim, redobramos todos os cuidados, que já tínhamos, com a manipulação das comidas”, revela.

Para o casal, as pessoas estão mais interessadas em adotar uma dieta 100% ou com algumas refeições vegetarianas ao longo da semana. Seja por motivos de saúde, ambientais ou éticos.

Sobre as conquistas da trajetória, ela faz questão de listas quatro:
- fazer o que gostamos

- confiar que nosso sonho de trabalhar com cozinha vegetariana é possível, mostrando que uma alimentação vegetariana é muito saborosa, diversa e que ter uma dieta vegetariana não é comer só salada.

- termos a oportunidade de trabalharmos juntos, com muito companheirismo

- valorizar em nossa cozinha os ingredientes provenientes da agricultura familiar. Conhecendo quem planta e de onde vem os vegetais que utilizamos.

Os produtos oferecidos pela empresa podem ser vistos no Instagram @quitutesdeflor. As entregas são realizadas nas cidades de São Paulo, Valinhos, Campinas e Vinhedo.

 

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