“Retratar Flávio de Carvalho é como tentar captar 1% de sua genialidade”

“Retratar Flávio de Carvalho é como tentar captar 1% de sua genialidade”

“Comecei meu contato com a pintura como todas as pessoas, na infância. O desenho é a nossa primeira forma de linguagem desde o início da humanidade, quando os homens se expressavam pelos desenhos em cavernas. Costumo dizer que a maioria deixa de desenhar após um período. Eu nunca parei”. A frase é do muralista valinhense Fábio Eduardo Vieira, um dos artistas responsáveis pela recém-inaugurada nova fachada do Espaço Cultural Flávio de Carvalho. 

Inspirado no multiartista que dá nome ao local, o mural traz – além da imagem  do rosto de Flávio de Carvalho - expressões artísticas pintadas de formas estilizadas como a dança, teatro, pintura e a música. “O Flávio foi um daqueles artistas que nasceram fora do seu tempo. Estava 100 anos à frente. São essas pessoas que chegam para abalar o status quo e mudam tudo ao seu redor. Poder retratá-lo é como tentar captar 1% de sua genialidade”.

Além da fachada do Espaço Cultural, outras importantes obras artísticas que podem ser vistas na cidade foram criadas e executadas por Fábio em parceria com o também muralista Alexandre Filiage, como o mural “Valinhos de Todas as Nações”, na Avenida Paulista, e o painel em homenagem a Adoniran Barbosa, localizado atrás do Centro de Artes e Cultura de Valinhos (CACC).

Os murais de Fábio e Alexandre ultrapassaram as fronteiras valinhenses e também podem ser vistos em Cosmópolis e São Bernardo do Campo. “A nossa inspiração para os murais vem da necessidade de nos enxergarmos como iguais”, comenta.

Camisetas
Antes de iniciar a pintura de murais, Fábio ficou conhecido pela produção de camisetas em aerografia. “As camisetas surgiram de forma natural. Procurava meios de fazer minha própria estampa, utilizando meus desenhos. Foi onde descobri o aerógrafo, instrumento semelhante à uma caneta, alimentado por pressão de ar para expelir a tinta que possibilita pintar direto na camiseta”, conta o artista.

A primeira camiseta produzida pelo artista foi com a imagem de Raul Seixas. “A partir daí as pessoas gostaram do meu trabalho e começaram a fazer encomendas”, diz.

Aos 41 anos, Fábio - encara diariamente o desafio de viver de arte no Brasil -  ressalta: “É sempre um desafio não só para mim mas para todos que se aventuram nesse universo. No Brasil nunca houve um incentivo massivo na cultura, diferente de alguns países, principalmente na Europa aonde a população entende que a cultura é tão essencial quanto as outras pastas. Porém, posso dizer que apesar dos obstáculos, é algo muito recompensador poder fazer o que gosto”.

Para 2020, Fábio diz que os principais planos são continuar na pintura de camisetas, que são o seu carro-chefe. “Por serem diferenciadas a procura é muito grande. Também estou desenvolvendo uma ilustração para um livro infantil que será lançado até setembro”, finaliza.

 

As camisetas criadas pelo artista, assim como as encomendas, podem ser vistas pelo Instagram @fabiovieiravisual.