Profissionais se reinventam para garantir sustento durante quarentena

Profissionais se reinventam para garantir sustento durante quarentena

 Pessoas de diferentes ramos de atividade tiveram que buscar alternativas para ampliar orçamento
Pessoas de diferentes ramos de atividade tiveram que buscar alternativas para ampliar orçamento

Reinventar. Essa é a palavra de ordem de 2020. A nova realidade imposta pela pandemia de coronavírus pegou o mundo de surpresa. Projetos, trabalhos, planos, tudo foi temporariamente paralisado para dar espaço a uma nova realidade: a do distanciamento social. Mas, como o que não tem remédio, remediado está, o segredo é buscar alternativas para garantir contas pagas e comida na mesa.

Ana Patrícia de Sousa Simão trabalha como costureira há 29 anos. Aprendeu o ofício ainda adolescente, aos 13 anos, e de lá pra cá não largou mais. Batalhou muito e realizou sonhos como o de abrir seu próprio atelier de costura. No espaço localizado na Vila Santana, em Valinhos, Patrícia faz concertos e trabalha na criação de sua coleção da Bela e Chic Ateliê. Porém, ao ser obrigada a fechar as portas devido a pandemia, Patrícia viu a renda mensal de aproximadamente R$ 6 mil chegar a zero. “Ficamos de portas fechadas por mais de 60 dias. Os serviços desapareceram e nós já não sabíamos o que fazer quando um amigo, que é proprietário do prédio onde tenho o Atelier sugeriu que começássemos a produzir máscaras de tecido”, conta.

E a sugestão deu certo. Hoje, apenas com a produção de máscaras Patrícia tem conseguido manter as contas em dia. “Posso dizer com certeza que nós só estamos aqui hoje porque passamos a fabricar essas abençoadas máscaras. Estamos nos recuperando ainda, mas sem dúvidas as máscaras de tecido nos deram um up na fase mais difícil dessa pandemia. Quando nos vimos naquela situação e de repente as coisas foram acontecendo por conta da confecção das máscaras, nós entendemos como uma luz no fim do túnel. Pra muitos pode ser sorte, eu prefiro chamar de fé”, ressalta Patrícia.

A artesã Maria Cristina Zanotti, de 52 anos, também buscou novos caminhos para ampliar o orçamento durante a quarentena. Pedagoga aposentada, Cris conta que iniciou os trabalhos como artesã há cerca de 10 anos e, após se aposentar, manteve a atividade como sua principal fonte de renda. “Com a quarentena, deixei de participar de feiras e eventos, mas encontrei na internet uma nova forma de divulgação. Então tenho investido nas publicações de produtos nas redes sociais, ido a programas de rádio e TV para divulgar meu trabalho e tem dado muito certo”, conta.

Cris - que trabalha com costura criativa, artesanato e patchwork – também tem investido na produção de máscaras. “Posso dizer que tivemos aumento nas encomendas dos produtos no geral, porque nas datas comemorativas, com as lojas fechadas, a compra via internet aumentou muito. E também começamos a produzir máscaras, o que tem ajuda bastante”, diz.

O trabalho de Cris pode ser conferido no Facebook e Instagram @pathcriscris. “O resultado neste período não foi só financeiro, mas também a satisfação de buscar novos caminhos e conhecer novas pessoas, novas possibilidades”.

Se reinventar também foi a opção encontrada pelo organizador de eventos Horário Aparecido Ramalho, de 36 anos. Antes da pandemia, Horácio trabalhava com a locação de brinquedos infláveis e buffet infantil itinerante. Porém, com todos os eventos cancelados a Action Festa viu seu orçamento mensal despencar de R$ 15 mil para R$ 150,00. “Começamos a sentir desde o final de fevereiro. Primeiro vimos diminuir aos poucos os pedidos de orçamentos eventos. Depois de um tempo, eventos já agendados começaram a ser cancelados em efeito dominó. Como as aglomerações de pessoas estão proibidas, as locações chegaram a zero”, afirma Horário.

Para garantir o sustento da família, o jeito foi criar alternativas. “Como não estávamos tendo entrada de nenhum capital e, além das contas e despesas da empresa, temos as despesas pessoais, acabamos pegando veículos e divulgando trabalho de fretes, retirada de móveis usados, entulhos e outros. Além disso, também montamos um pequeno bazar para vendas de usados em geral. É uma forma de também utilizar o barracão”.

Para Horácio, encontrar este novo caminho foi uma luz no fim do túnel. “Apesar de estarmos atrasados em muitas contas, estamos conseguindo pouco para suprir nossas necessidades básicas, contas pessoais, alimentação e etc.. Nós, do ramo de eventos, fomos os primeiros afetados e seremos os últimos a voltar, isso se conseguirmos ainda voltar”.  

Além dos fretes, Horácio tem disponibilizado o aluguel de brinquedos infláveis por períodos maiores. Para saber mais é só conferir no Instragam @xxxxxxx. 

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