Adoniran Barbosa completaria 109 anos no dia 6 de agosto

Adoniran Barbosa completaria 109 anos no dia 6 de agosto

Adoniran Barbosa completaria 109 anos no dia 6 de agosto Batizado como João Rubinato, artista nasceu em Valinhos em 1910
Adoniran Barbosa completaria 109 anos no dia 6 de agosto Batizado como João Rubinato, artista nasceu em Valinhos em 1910

Se estivesse vivo, Adoniran Barbosa teria comemorado 109 anos no último dia 6. É o que diz a certidão de nascimento de um tal de João Rubinato, exposta no Museu Municipal Fotógrafo Haroldo Pazinatto. O documento - pelo que se pode ver - atesta o nascimento da criança em 6 de agosto de 1910.

Acontece que João cresceu e com a idade adulta concluiu que este não era nome de cantor de samba. E então resolveu mudar. De um amigo pegou emprestado Adoniran e, em homenagem ao sambista Luiz Barbosa, adotou seu sobrenome. E assim, o jovem valinhense tornou-se um dos maiores nomes do cancioneiro popular brasileiro e uma das mais importantes vozes da população ítalo-paulistana.

Filho de imigrantes italianos, abandonou os estudos ainda no primário para trabalhar. Foi tecelão, balconista, pintor de paredes e até garçom. No começo da década de 30, passou a frequentar os programas de calouros da rádio Cruzeiro do Sul de São Paulo.

Em 1933, depois de ser desclassificado inúmeras vezes devido à sua voz fanha, Adoniran conquistou o primeiro lugar no programa de Jorge Amaral cantando "Filosofia" de Noel Rosa. Em 1935, compôs, em parceria com o maestro e compositor J. Aimberê, sua primeira música "Dona Boa", eleita a melhor marcha do Carnaval de São Paulo naquele ano. Na rádio Cruzeiro do Sul ficou até 1940, transferindo-se, em 1941, para a rádio Record, a convite de Otávio Gabus Mendes. Ali começou sua carreira de ator participando de uma série de radioteatro intitulada "Serões Domingueiros".

E são muitas as marcas da vida de Adoniran em Valinhos. No Centro de Arte, Cultura e Comércio (CACC), o ilustre cidadão valinhense é presença garantida. Eternizada em bronze, a estátua do boêmio Adoniran fica sentada na mesa de botequim, com uma cadeira vaga, esperando os fãs de sua obra.

A estação ferroviária da cidade, fundada em 1872,foi por onde a família de Adoniran chegou à região. Valinhos era uma das paradas no trecho da estrada de ferro que ligava Jundiaí a Campinas. Após a abolição da escravatura, o trajeto passou a ser feito por imigrantes italianos em busca de empregos, exatamente o que aconteceu com a família Rubinato.

Ao lado da estação, também é possível ver a chaminé da Cerâmica Spadaccia, um dos locais de trabalho da família do músico.

A obra do compositor, também, tem uma marca registrada muito forte: a despreocupação com a grafia correta. Em suas letras, tábua virava "tauba", homens viram "homis". Esse jeito pouco ortodoxo de se expressar gerou críticas, mas Adoniran nunca abandonou a identidade de quem faz música para o povo, falando como o povo fala, segundo ele mesmo justificava. "Só faço samba para o povo. Por isso faço letras com erros de português, porquê é assim que o povo fala. Além disso, acho que o samba, assim, fica mais bonito de se cantar", dizia.