Alternativa

A verdade que acalma a alma

Coluna Momentos

por Pastor Rui Mendes faria

Outro dia, meditando nas Escrituras, fui levado a refletir sobre algo que muitos vivem, mas poucos conseguem identificar: a distância entre o que sentimos e a verdade que sustenta a nossa vida.

Na semana passada, escrevi que a cura começa na verdade. E continuo afirmando isso. Mas hoje quero dar um passo além: falar sobre a verdade — ou a mentira — que vivemos dentro das nossas emoções.

Existe um lugar silencioso onde muita gente está presa… e nem percebe. Esse lugar se chama desregulação emocional.

Regular as emoções não é deixar de sentir, nem controlar tudo o tempo inteiro. É reconhecer o que se passa dentro de nós sem sermos dominados por isso. É sentir, mas não se perder. Pensar, sem ser sequestrado pela ansiedade. Reagir, mas com consciência.

O problema é que, muitas vezes, não sabemos voltar ao equilíbrio.

Uma situação acontece, o corpo reage… e não desliga mais. A mente entra em alerta, o coração acelera, a respiração encurta, o corpo se tensiona. E, aos poucos, isso deixa de ser uma reação momentânea e passa a ser um estado constante.

E é aqui que nasce uma das mentiras mais perigosas da vida emocional.

A ansiedade começa a nos convencer de que estamos sempre em risco. Tudo parece ameaça: um silêncio, uma espera, uma conversa, um olhar. O corpo reage, a mente confirma… e o ciclo se repete.

O mais perigoso é que essa mentira não fica só no pensamento.

Ela passa a ser sentida.

E quando algo é sentido, parece verdade.

Mas nem tudo o que sentimos é verdade.

Quantas pessoas vivem cansadas hoje… não pelo que está acontecendo fora, mas pelo que está acontecendo dentro? Vivem em estado de alerta, sem descanso, sem paz, sem segurança.

E aos poucos, vão se afastando da verdade.

Porque a verdade acalma.

Mas a mentira aprisiona.

Regular as emoções é aprender a conduzir o que sentimos. É dizer ao próprio corpo: “Eu sei que você está tentando me proteger, mas agora não há perigo.”

É desacelerar o coração. É reorganizar a mente. É voltar ao eixo.

E há algo que não pode faltar nesse processo: a presença de Deus.

Quando o coração encontra segurança em Deus, tudo começa a se alinhar. A Palavra traz clareza, a oração traz descanso, e a presença dEle devolve a paz que o mundo não consegue dar.

Talvez você esteja assim hoje: cansado por dentro, acelerado por fora, inquieto na alma.

Mas existe um caminho.

E esse caminho começa, mais uma vez, na verdade.

Porque, no fim das contas, não é sobre nunca sentir…

é sobre não se perder no que se sente.

 

Rui Mendes Faria

Pastor e terapeuta

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