Economia
Com faturamento real em queda, shoppings centers buscam novas fórmulas para atrair público
Centros comerciais registram recuo de 25% nas vendas desde 2019, quando descontada a inflação; e-commerce, crise nos cinemas e trabalho híbrido são apontados como os principais “vilões” do setor
Os gigantes de concreto e vidro, que por décadas foram os principais termômetros da economia brasileira, atravessam uma fase de reestruturação forçada. Dados recentes mostram que, no último ano, os shoppings centers registraram 471 milhões de visitas mensais, marcando o primeiro recuo de público desde o fim da pandemia e uma queda de 6% em relação a 2019.
Ainda mais alarmante é o faturamento real: embora o setor tenha movimentado mais de R$ 200 bilhões, ao descontar a inflação do período, as vendas amargam uma queda de 25% comparado aos níveis pré-pandêmicos.
O setor enfrenta mudanças estruturais que alteraram o hábito do consumidor:
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O Trunfo do E-commerce: Pelo segundo ano consecutivo, o varejo digital superou os shoppings em receita, movimentando R$ 235 bilhões em 2025 — um crescimento de 15% que consolida a conveniência da entrega em casa.
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O Esvaziamento do Cinema: Tradicional “âncora” de fluxo, os cinemas viram o público encolher 36%. A popularização do streaming transformou o que era um programa semanal em um evento ocasional, reduzindo as compras por impulso nas lojas vizinhas.
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A Mudança no Trabalho: O modelo híbrido esvaziou as praças de alimentação. Sem o fluxo diário de funcionários de escritórios, o consumo em horários alternativos despencou.
Diante do aumento de custos operacionais e das discussões nacionais sobre o fim da escala 6×1, lojistas cogitam uma mudança drástica: antecipar o fechamento das lojas. Como o horário do almoço se tornou o pico de movimento, manter a operação aberta até tarde da noite tem se mostrado financeiramente insustentável para muitas unidades.
Geração Z: A Esperança vem de Fora?
Enquanto o Brasil sente o recuo, nos Estados Unidos a Geração Z (18 a 24 anos) tem surpreendido o mercado: 62% de suas compras foram feitas em lojas físicas no último ano. Especialistas debatem se isso é apenas uma diferença cultural norte-americana — onde o shopping atua como centro social — ou se é uma tendência de “desintoxicação digital” que ainda chegará ao Brasil.
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