Saúde

Como os hormônios agem na rotina e na relação com o câncer de próstata

O mês de novembro é conhecido por conscientizar sobre o Combate ao Câncer de Próstata, por isso, trazemos a visão de um especialista sobre a relação do hormônio masculino, a testosterona, com a doença

De acordo com Francisco Tostes (@doutortostes), sócio do Instituto Nutrindo Ideais (@nutrindoideais), especialista em medicina do esporte, atuante em endocrinologia, Mestre em Bioquímica fisiológica, durante muito tempo se acreditou que “a testosterona causa câncer de próstata”. Essa ideia veio do fato de que o tratamento do câncer avançado muitas vezes envolve bloquear os hormônios masculinos.

“Mas hoje sabemos que isso é um mito”, diz ele. Estudos modernos mostram que ter testosterona normal ou até mais alta dentro dos limites saudáveis não aumenta o risco de desenvolver câncer de próstata. O que realmente acontece é que o tumor depende da testosterona para crescer depois de já existir, mas a testosterona não é a causa do câncer.

Ou seja: a reposição hormonal, feita de forma correta e com acompanhamento, não “cria” câncer de próstata.

Outros hormônios

Além da testosterona, há outros hormônios que influenciam a saúde da próstata, principalmente os que se relacionam com alimentação, peso e resistência à insulina.

Tostes argumenta que um dos mais importantes é o IGF-1, uma substância que aumenta com o excesso de calorias e com dietas muito ricas em açúcar e carboidratos simples. Níveis muito altos de IGF-1 estão ligados a um risco maior de crescimento de tumores, inclusive de próstata.

Também sabemos que a obesidade, o sedentarismo e o consumo excessivo de álcool alteram o equilíbrio hormonal e favorecem um ambiente mais inflamatório, algo que pode contribuir para doenças da próstata.

Em resumo: o estilo de vida saudável é um dos melhores protetores hormonais que um homem pode ter.

Check-up e exames preventivos

O principal exame usado para detectar alterações na próstata é o PSA, que deve ser feito regularmente junto com a avaliação médica.

Mas o corpo dá outros sinais indiretos. Homens com sobrepeso, glicose alta, colesterol ruim e pressão elevada têm mais risco de desenvolver doenças inflamatórias e até câncer, inclusive o de próstata.

Esses marcadores não “diagnosticam” o câncer, mas servem como bandeiras vermelhas de que o metabolismo não está bem e de que é hora de cuidar da saúde como um todo.

Segundo Francisco, antes de iniciar qualquer reposição hormonal, é fundamental ter certeza de que não há câncer de próstata oculto.

Os principais exames para identificar são:

  • PSA (antígeno prostático específico);
  • Toque retal;
  • Exames de imagem como o ultrassom ou a ressonância da próstata.

Além disso, avalia-se o perfil hormonal completo e o metabolismo (glicose, colesterol, fígado, rins).

Com esses dados em mãos, o médico pode decidir com segurança se a reposição é indicada e como acompanhar ao longo do tempo.

Tratamento e interrupção de reposição hormonal

No tratamento do câncer de próstata, muitas vezes é preciso bloquear a testosterona e isso causa mudanças importantes no corpo.

Sem testosterona, o homem tende a perder massa muscular, ganhar gordura abdominal, perder massa óssea (osteoporose) e ter mais cansaço e alterações metabólicas.

“Mas atividade física e alimentação correta fazem uma diferença enorme. Treinos de força ajudam a preservar os músculos e os ossos, enquanto uma alimentação rica em proteínas, vegetais, cálcio e vitamina D ajuda a manter o metabolismo ativo e o peso sob controle”, afirma Tostes.

Mesmo em tratamento, é possível manter qualidade de vida e boa forma física, desde que o paciente seja acompanhado de perto por uma equipe médica e multiprofissional.

FONTE:

Francisco Tostes (@doutortostes), sócio do Instituto Nutrindo Ideais (@nutrindoideais), especialista em medicina do esporte, atuante em endocrinologia, Mestre em Bioquímica fisiológica. RQE 53514.

O médico e sócio do Instituto Nutrindo Ideais, maior clínica multidisciplinar do Brasil, Dr. Francisco Tostes (@doutortostes) é formado há mais de 20 anos. Pós-graduado em Clínica Médica, Endocrinologia e especialista em Medicina do Esporte, mestre em Bioquímica pela UFRJ. Pesquisador em terapias hormonais, possui publicações científicas na área. Tem como foco de atuação a melhora na qualidade de vida de seus pacientes, seja através da prevenção como no tratamento de doenças.

 

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