Roseli Bernardo

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Roseli Bernardo, jornalista

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Figo, a flor que projetou Valinhos

A cada ano a cidade se engalana para festejar o seu santo padroeiro (São Sebastião) e a Festa do Figo, cuja origem está ligada à religiosidade do povo porque foi através da liderança de padre Bruno Nardini que chegou ao então Distrito de Valinhos em 1939, com um grande desafio (construir a Igreja Matriz de Sebastião), que o evento nasceu.
A sua vivência no pequeno Distrito de Valinhos e seu olhar empreendedor o levaram a promover a Festa do Figo junto da Festa de São Sebastião, porque era o período de fartura na colheita do figo e por isso os agricultores precisavam de maior visibilidade e novos horizontes para comercializarem o produto.
O festejo aconteceu por nove anos sob a organização da Igreja Católica e com ele vieram também os recursos para a construção da nova igreja. A partir daí começa uma nova história: a festa cresceu, ganhou divisas, enorme divulgação e precisava de uma organização maior e em 1949, através do decreto do então governador Adhemar de Barros, a festa passou a ter caráter oficial com apoio da Secretaria da Agricultura, com uma nova contagem, ou seja, tornou-se oficialmente 1ª Festa do Figo de Valinhos.
Ai está o princípio de tudo. Uma linda história, que em 2014 tivemos a oportunidade de resgatar e publicar numa revista comemorativa por ocasião da 65ª Festa do Figo, através da AR2 Comunicação & Eventos, um trabalho que realizei juntamente com os jornalistas Roberta de Andrea e Fernando D´Ávila, com colaboração de Claudinei Lopes, Rose D´Ávila e Carlos Braganholo, onde conseguimos recolher os pequenos recortes da história e fazer um documento histórico que nos enche de orgulho.
Este ano a Comissão da Festa do Figo vai aproveitar as informações contidas na revista “Figo, a flor que projetou Valinhos” e vai reproduzi-las em painéis, que serão instalados junto ao Pavilhão Antônio Palácio Neto, para que os visitantes possam conhecer um pouco da história feita por homens e mulheres, que trabalharam para a projeção da fruticultura e o desenvolvimento de Valinhos.  Acreditamos que deixamos um legado para as futuras gerações, que poderão encontrar nas páginas da nossa revista e agora nos painéis, informações importantes sobre o maior evento turístico da nossa cidade.
Nomes como Lino Busato, que trouxe as mudas de figo para Valinhos, padre Bruno Nardini, Raimundo Bissoto, braço direito do padre Bruno, Antônio Palácio Neto, criador do concurso da Rainha, o saudoso Geraldo Pupo, leiloeiro que participou da primeira festa até 1998, e muitos outros que estão registrados na história.
A Festa do Figo é uma história viva, construída por valinhenses em um trabalho coletivo, onde muitos se uniram na busca do bem comum. Se lá atrás o objetivo era promover o figo roxo e conseguir os recursos para construção da igreja, hoje o mesmo se renova na manutenção da fruticultura de Valinhos e mais: na divulgação da cidade e de seu poderio agrícola e industrial. Que possamos agradecer ao nosso padroeiro São Sebastião e aproveitar o que a nossa cidade nos oferece de bom.