Felipe Zangari

Felipe Zangari

Jornalista e estudante de teologia pelo Centro Universitário Claretiano

Conteúdo relacionado - Autor - Texto Principal

Para onde vai nossa esperança?

No último dia 31 de agosto recordamos o primeiro aniversário da posse de Michel Temer como presidente do Brasil. Depois de confirmado pelo Senado Federal o impedimento de Dilma Rousseff, o então presidente interino era efetivado no cargo. Nesses 12 meses como titular da faixa presidencial, Temer colaborou decisivamente para mergulhar ainda mais o Brasil na crise moral, política e financeira que já nos assolava desde o agonizante início do segundo mandato de Dilma.
Nossa economia soluça e não sai do lugar. Dados do IBGE nos mostram 13,3 milhões de pessoas sem emprego. Se contarmos os brasileiros que foram empurrados para a informalidade por questão de sobrevivência, esse número sobe ainda mais. 
A falaciosa boa notícia da inflação é deplorável. A atual variação de preços abaixo do centro da meta só está aí porque a economia não anda e custa a dar sinais de recuperação – é como se fosse possível elogiar a economia de combustível de um carro desligado.
Politicamente não poderíamos estar pior. O PMDB nunca esteve tão colado nos cargos e tão descolado do povo. O PSDB virou um trapo diante da sua subserviência cega ao projeto reformista. O PT segue putrefato e repleto de moscas. Nossa esquerda programática fala pra ninguém ouvir enquanto a extrema direita beira à insanidade.
Enquanto isso, os barões do Legislativo seguem a qualquer custo tentando aprovar uma reforma política que torna ainda mais difícil a renovação dos parlamentares, de um lado, e deixa mais permissivo o uso dos recursos financeiros as campanhas eleitorais, de outro.
Moralmente estamos na era do ridículo: juiz que é padrinho de casamento julgando o pai da noiva, juiz que vai ao filme e ri da cena de um grampo telefônico ilegal que ele deixou vazar, prefeito que marca o braço das crianças para que elas não repitam a merenda nas escolas.
Tudo culpa de Temer? Claro que não. Mas é inegável que o espírito público do Brasil ficou ainda mais esfacelado com a presença do já claudicante advogado constitucionalista à frente do Planalto. Temer traz no seu olhar toda a sede de poder dos oligarcas de sempre. Seu governo revela a cada ato a certeza de que o Brasil não é “mãe gentil” de todos. A agenda econômica e fiscal que está em marcha é mais um sinal de que estamos legitimando as desigualdades, institucionalizando os privilégios e jogando às traças o pouco de representatividade popular que ainda residia na política partidária.
Em suma: o Brasil de Temer é mais triste. E com ele no governo as crises se avolumam de tal maneira que é cada vez menor a esperança de que as eleições de 2018 possam devolver alguma alegria ao sorriso da nossa gente.