Valinhos confirma caso de febre maculosa e intensifica prevenção

Valinhos confirma caso de febre maculosa e intensifica prevenção

Prefeitura de Valinhos

A Prefeitura de Valinhos está adotando uma série de medidas depois da confirmação do primeiro caso de febre maculosa na cidade, na última sexta-feira (3). Um menino de 9 anos, morador do bairro Monte Verde, que teria contraído a doença durante uma visita ao CLT (Centro de Lazer do Trabalhador), se recuperou da doença e passa bem.

Os relatos da família indicam que ele foi picado por um carrapato-estrela, que transmite a febre maculosa, e apresentou os sintomas da doença no dia 16 de junho. No dia 21, foi internado na Santa Casa de Valinhos, onde foi tratado e teve alta no dia 26 de junho.

O principal hospedeiro do carrapato-estrela é a capivara, que é um animal silvestre que circula livremente pelas zonas urbanas em todo o Brasil, protegido pelas leis ambientais. Dessa forma, os municípios encontram dificuldade em controlar esse tipo de problema, já que ele pode estar presente em qualquer área onde haja circulação de capivaras.

Para tentar minimizar os riscos de novos casos, a Prefeitura tem adotado uma série de medidas com objetivo de conscientizar as pessoas a evitar as zonas de maior risco. Uma das ações foi ampliar para 20 o número de placas de orientação e indicação da presença de carrapato-estrela no CLT.

Foi feita também uma solicitação à Sucen (Superintendência e Controle de Endemias) para realização de nova pesquisa acarológica para verificar a incidência, os tipos de carrapatos e a presença da bactéria Rickttsia rickettsii, que transmite a febre maculosa por meio da picada do carrapato. A Prefeitura aguarda uma resposta sobre o levantamento.

Além disso, o parque foi totalmente limpo, com o corte da grama, poda de árvores e corte de mato, o que ajuda a evitar a proliferação do carrapato, mais comum no período de seca. A grama rente ao solo dificulta a proliferação dos carrapatos, pois os mesmos são sensíveis à radiação solar.

Para fortalecer essa cobertura, equipes da Divisão de Controle de Zoonoses estão realizando ainda novos monitoramentos no parque desde a última na terça-feira (7) para verificar as condições do local e toda a sinalização.

Na manhã da próxima quinta-feira (9), uma equipe de agentes de controle de endemias fará uma panfletagem no local para distribuir material que ajude na conscientização dos usuários do parque sobre os riscos da doença e as formas de prevenção.

Uma palestra com o tema “Atualização em Febre Amarela”, realizada nos dias 15 e 16 de agosto próximos, no CETS (Centro de Estudos e Treinamento em Saúde), ainda vai fornecer informações mais detalhadas aos profissionais que trabalham na área de saúde sobre riscos, transmissão e as formas de tratamento da doença.

“A febre maculosa é uma doença grave que pode levar a morte, mas tem cura se for tratada a tempo, por isso é importante informar ao médico sobre a picada de carrapato na ocorrência de febre e dores musculares”, disse a diretora de Saúde Coletiva, Carina Missaglia. A doença é transmitida pela picada de carrapatos do gênero Amblyomma, infectado pela bactéria Rickttsia rickettsii.

A Secretaria de Saúde mantém um rigoroso esquema de acompanhamento de casos relacionados à febre maculosa no Município. Este ano foram notificados 34 casos suspeitos, com uma confirmação. Outros dez foram descartados e 23 aguardam resultado de exame. Em 2017 foram 69 notificações, sendo um positivo autóctone que evoluiu para óbito.

Segundo Carina, as ações de prevenção à febre maculosa fazem parte da rotina do Departamento e incluem monitoramento das áreas (sete) e sinalização, orientação aos médicos e enfermeiros a considerarem nas consultas a possibilidade de febre maculosa em pessoas com relato de visita a áreas com a presença de carrapato estrela e colocação de placas nos consultórios médicos, além de palestras em escolas, centros comunitários e em eventos.

O CLT é umas das áreas monitoradas pela Prefeitura e com 20 placas indicativas da presença de carrapato estrela. As placas alertam também sobre os cuidados que devem ser tomados ao frequentar o local, como proteger o corpo e examiná-lo à procura de carrapatos e, se for picado e tiver febre, a procurar o serviço de saúde e avisar o médico.

Nesta terça-feira (7) a diretora da Divisão de Vigilância em Zoonoses, Marli Aparecida da Silva, esteve no CLT para monitoramento da área ao lado do médico veterinário Ricardo Conde Rodrigues, da agente de endemias Daniela Soldan e do assessor Thiago Trajano.

“O parque está bem sinalizado e com a grama rente ao solo, o que dificulta a proliferação de carrapato, pois os mesmos são sensíveis à radiação solar”, avaliou o veterinário. Rodrigues disse que entre agosto e novembro há um predomínio de estágios imaturos do carrapato (ninfas) no ambiente. Em decorrência disso, aumenta a possibilidade de parasitismo humano, uma vez que as ninfas podem parasitar animais domésticos, animais silvestres e também os humanos. No verão predomina o carrapato adulto, que usualmente não parasita os humanos.

Na quinta-feira (9) pela manhã agentes de endemias estarão no CLT distribuindo folhetos sobre a febre maculosa e dando orientações aos usuários do parque.

Prevenção        

As pessoas podem evitar a febre maculosa não frequentando lugares infestados por carrapatos. Na impossibilidade, deve-se proteger o corpo da melhor maneira possível e se autoexaminar em intervalos de três horas à procura de carrapatos.

Os principais sintomas da febre maculosa são: febre, dor de cabeça, dores no corpo e manchas avermelhadas na pele. Em um estágio mais avançado, septicemia, complicações pulmonares, renais, neurológicas, vasculares, desidratação, coma e óbito. O período de incubação é de dois a 14 dias.

Não se deve esperar todos os sintomas para procurar o serviço médico, basta apresentar febre, e é fundamental informar que foi picado por carrapato recentemente ou esteve em local com carrapatos. A febre maculosa tem cura, mas é importante que seja tratada a tempo, por isso a importância de informar o médico de ter sido picado por carrapato.

 

Da redação