Entrevista ORESTES PREVITALE

Entrevista ORESTES PREVITALE

Marcos Araújo

Orestes Previtale foi eleito prefeito de Valinhos com 22.735 votos
Orestes Previtale foi eleito prefeito de Valinhos com 22.735 votos

Eleito prefeito com 22.735 votos, o médico O restes Previtale recebeu com exclusividade a Folha de Valinhos em sua sala na Clínica Previtale na última quinta-feira, 6. Ao lado da vice Laís Helena, Orestes Previtale falou pela primeira vez da ausência do ex-prefeito Marcos José da Silva em sua campanha que o garantiu na prefeitura para o período de 2017 a 2020. “Não houve apoio nenhum dele”, resumiu.
Logo no início do governo, terá pela frente a organização da Festa do Figo e do Carnaval. “A Festa do vai acontecer dentro das limitações financeiras, orçamentárias e as dificuldades que o município passa”, disse.

Folha de Valinhos: O tempo de campanha nesta eleição caiu de 90 para 45 dias. Como foi desenvolver a campanha com tempo de dias menor e os programas de rádio mais enxutos em relação à 2012?
Orestes previtale: Foi isso o que você viu, extremamente corrido, cansativo demais porque não havia tempo como anteriormente, então teve que cumprir meta. Foi pouco descanso e muito trabalho. Aquilo que tinha três meses para fazer, caiu pela metade. O trabalho começava às 6h e ia até meia-noite, 1h da manhã com gravação de programa de rádio, elaboração de material. Aquilo que trabalhava 8h por dia, teve de ser 16h.

Folha de Valinhos: Pegando alguns números de forma separada, o Mayr foi eleito com 1.503 votos, o Henrique Conti com 1.068 votos e o Fabrício Bizarri, que é o primeiro suplente na Câmara, teve 736 votos. Se somarmos estas três votações, dá 3.307 votos e a sua diferença em relação ao Clayton Machado foi de 3.532 votos. Qual foi a importância do PV na coligação?
Orestes previtale: Foi tão importante como quaisquer um dos outros partidos que estiveram junto conosco. Mesmo peso. Nós fizemos alianças com partidos, não com pessoas. Se algumas pessoas não foram exitosas em vencer a eleição, foi porque a população entendeu que não era para ser o representante legítimo na Câmara. O peso do PV foi exatamente o mesmo peso do PP, que elegeu Edson Secafim; PRTB, que não fez nenhum vereador, assim como o PSL, PMN, PSDC. Quando a conversa começou para a aliança acontecer (com o PV), foi da mesma forma com todos eles. Eleição é eleição. Cada um joga com seus conhecimentos, armas a atributos.

Folha de Valinhos: Dentro do PV tem o Mayr, que esteve à frente do DAEV até o início deste ano. O Mayr é um nome que pode assumir o DAEV a partir do ano que vem?
Orestes previtale: O Mayr não esteve à  frente do DAEV. O Mayr é vice-prefeito. É diferente. Ele esteve ocupando porque houve a necessidade dele estar lá dentro, o entendimento foi esse. Tanto que fizeram um projeto de lei para o vice-prefeito ter um cargo e o Mayr ainda é o nosso vice-prefeito. Agora, composição de cargo eu entendo o seguinte: isso é uma coisa futura, mas eu entendo que o Mayr foi eleito vereador. Tenho comigo a certeza de que o propósito dele é na Câmara, e alcançou o propósito. Acredito que ele vá desempenhar aquilo pelo que foi eleito. A população não o escolheu para ser presidente do DAEV, escolheu para ser vereador.

Folha de Valinhos: Durante a campanha, pelo menos do lado de fora, percebeu-se a ausência do apoio do ex-prefeito Marcos José da Silva. Esse apoio aconteceu nos bastidores?
Orestes previtale: Não. Não houve apoio nenhum dele. Nenhum apoio. A campanha aconteceu da forma que vocês viram, mas sem o apoio dele.

Folha de Valinhos: O senhor esperava ter o apoio do ex-prefeito Marcos?
Orestes previtale: Eu não vou discutir isso. Só vou responder a sua pergunta que não houve o apoio dele. Eu entendo como natural que tendo a figura máxima do PMDB o Marcos, que foi prefeito por três vezes, o seu filho Vinícius, que é o presidente do partido, seria uma obrigação apoiar o candidato do partido. Mas você me perguntou se ele apoiou: não, não apoiou.

Folha de Valinhos: No início do seu governo, terá pela frente dois grandes eventos na cidade: Festa do Figo e Carnaval. Como o senhor projeta organizar estes dois eventos?
Orestes previtale: O Carnaval está na pauta, assim como a Festa do Figo. Nós nos reunimos com o pessoal das escolas de samba durante a campanha para que nós ouvíssemos e entendêssemos como é que eles trabalham, quais são os anseios e o que a gente pode ajudar. Mas eles é que terão de nos ajudar, conhecendo as nossas dificuldades nos ajudar da forma que pode acontecer. O que a administração vai fazer é mostrar até onde ela pode ir com o apoio financeiro e logístico. E eles nos ajudam mostrando o que podem fazer para ser uma festa bonita com os recursos limitados. Tal qual a Festa do Figo, que vai acontecer dentro das limitações financeiras, orçamentárias e as dificuldades que o município passa. Eu entendo que você não precisa de grandiosidade para fazer uma festa bonita. Precisa de pessoas com vontade, envolvidas e das famílias da cidade. Se tiver as famílias envolvidas nisso, é o que basta. Você não precisa ter uma Festa do Figo gigantesca e onerosa. A Festa só existe por conta dos agricultores e expositores, então privilegiar este pessoal. Trazer para dentro da Festa do Figo as famílias. Trazer para o diálogo o pessoal dos blocos de Carnaval, trazer as famílias para o desfile e participar.

Folha de Valinhos: O Carnaval retorna no ano que vem?
Orestes previtale: O Carnaval é a maior mostra cultural do nosso país. Assim sendo, ele tem de ser prestigiado. O Carnaval tem cinco dias de festa. Tem de ter seu espaço reservado, vai ter, sim, dentro das limitações.

Folha de Valinhos: Previtale tem uma história política na cidade com o seu pai já vereador. Qual é o espelho que o senhor leva do seu pai na carreira política?
Orestes previtale: Naquela época, a política era diferente, a cidade tinha outro ritmo. Eu acho que o espelho que eu trago é a vontade de participar da sociedade, de aproximação com a população, atuar na condução política da cidade. Isso é doação, eu diria que tem mais ônus do que bônus nesta história. O glamour do cargo não é desse tamanho, não. A gente tem de ter esse envolvimento e doação porque vai participar e conduzir o destino de mais de 120 mil pessoas.

Folha de Valinhos: A Câmara terá no início do ano nove vereadores da base de situação. O que isso ajuda neste começo de governo?
Orestes previtale: Eu vou dizer uma coisa para você: eu tenho certeza de que agora não haverá oposição, mesmo porque ela não tem razão de ser. Nós estamos começando um novo período, a oposição naturalmente vai se desenvolver porque as pessoas têm objetivos políticos diversos, cada um tem o seu projeto político. A Câmara se renovou, mudou muito, pessoas que lá estavam e tinham um ranço político muito severo – pessoas que eu diria para você profissionais da política – foram afastadas. Os profissionais da política foram afastados e deram espaço para jovens, não só de idade, mas de carreira política que vêm com uma visão não tão egocêntrica como estes que foram afastados tinham. Tenho certeza de que os novos que chegaram agora têm uma visão muito mais ampla, não só o egocentrismo de olhar para o seu próprio umbigo, para o seu próprio dedão do pé. A oposição de ideias, não a oposição rasteira que acontecia lá dentro na figura destes elementos.

RAIO-X

Nascimento: Valinhos
Nome: Orestes Previtale
Idade: 51 anos
Formação: Medicina
Principais atividades realizadas: Médico clínico e cirurgião geral e do aparelho digestivo. É servidor público municipal como médico. Foi diretor Clínico e diretor Técnico da Santa Casa e do Hospital Galileo, presidente da Associação Médica de Valinhos, presidente do Conselho Municipal de Saúde e secretário de Saúde Municipal entre 2005 e 2008, período em que reabriu o Centro de Atendimento de Urgências e Especialidades com a implantação de diversos serviços médicos, além da criação do Centro de Atendimento Farmacêutico e Fisioterápico (CAFFI) e Centro de Especialidades Odontológicas.
Início da carreira política: Militância do PMDB entre o fim dos anos 2000 e início dos anos 2010 e em 2013 colaborou para a fundação do partido Solidariedade.

Marcos Araújo, formado em jornalismo pela PUC-Campinas, colunista do Portal Terceiro Tempo, já passou por redações de rádio e online e coautor do documentário "As raízes do rádio esportivo de Campinas".