Foi dada a largada!

Terminado o prazo para realização das convenções nacionais dos partidos políticos, foi dada a largada para disputa ao Palácio do Planalto, ainda que a campanha oficial comece somente no próximo dia 16 – os partidos têm até 15 de agosto para registrar oficialmente as chapas no Tribunal superior eleitoral.  A primeira semana pós lançamento das chapas revela movimentações interessantes no tabuleiro eleitoral e favorece a já conhecida polarização entre PT e PSDB.
O PT conseguiu, na reta final do período das convenções, uma dupla vantagem: primeiramente, costurou acordos pontuais com o PSB que garantiram a neutralidade socialista e evitaram a aliança destes Ciro Gomes, desidratando o já minguado palanque nacional do pedetista. Depois, trouxe o PCdoB de volta para debaixo de suas asas, garantindo mais tempo de TV e endossando a candidatura de Manuela D’Ávila para vice de Lula (ou de Haddad, seu ungido). Alguns ironizaram dizendo que essa estratégia comandada por Lula de dentro da prisão foi mais eficaz do que qualquer plano que tivesse sido pensado fora da cadeia. 
No PSDB, a campanha de Geraldo Alckmin ganhou musculatura com o eticamente discutível, mas pragmaticamente útil apoio do “Centrão”, capitaneado por PR e PTB. Essa aliança garante praticamente metade do tempo de propaganda para Alckmin e oferece ao tucano uma considerável capilaridade regional para irrigar seus palanques. A vantagem é evidente, mas fica nas costas do ex-governador paulista o fato de precisar cotidianamente se explicar sobre o acordo com a já estigmatizada “banda podre” do Congresso Nacional.
Esses dois partidos saem na frente. No entanto, há ao menos três outros concorrentes ao Planalto que terão papéis importantes nesses dias que antecedem o 7 de outubro, data do primeiro turno: Ciro Gomes, Marina Silva e Jair Bolsonaro.
O candidato do PDT, ainda que tenha ficado com pouco tempo de exposição na propaganda, tem na eloquência do seu discurso uma arma poderosa. Dependendo de como direcionar a sua artilharia, Ciro pode tanto robustecer a sua popularidade quanto minar alguns adversários. O PT parece já ter percebido isso – a entrevista de Fernando Haddad à Rádio Gaúcha nesta quarta-feira foi marcada por muitos afagos a Ciro.
Marina Silva tem buscado atrair para si o discurso da política republicana não partidarizada, mirando um eleitorado que já manifestou desencantamento com a estrutura de representação no Brasil. Pesam sobre ela a baixa representatividade do seu grupo político (coligação Rede - PV) e o fato de ter manifestado apoio explícito a Aécio Neves em 2014.
Por fim, Jair Bolsonaro segue com forte presença nas pesquisas, mas suas declarações mais recentes têm assustado parte do eleitorado por não conseguir expor com clareza os procedimentos que pretende utilizar para governar o Brasil. É de esperar que, nos debates, Bolsonaro será muito confrontado em relação a propostas objetivas para conduzir as políticas públicas da nação. Há quem diga que sucumbirá.
O fiel da balança está no PT. Será que vai conseguir votos o suficiente para emplacar um nome (que não o de lula) no segundo turno?  Aqui está a chave da eleição presidencial.

Felipe Zangari, jornalista, bacharel em Teologia e professor

Jornalista e estudante de teologia pelo Centro Universitário Claretiano