Eu sou mar

As sensações, todas elas, vinham muito de algo não tangível, mas imensamente interessante e nada acolhedor. A era de aquário chega e transporta, transmuta, transforma todo meu ser. Eu que nado além das correntezas e me esvazio toda vez que penso estar repleta de tudo, sou aquela que sente, arde, aceita e cresce.
O mar me aguarda, ansiosamente, como filha de Iemanjá que sou. As águas tão calmas e intensas de um incessante vai e vem, despertam o sorriso mais certo, doce e envolvente por si só. O clima do recomeço traz a ilusão do novo por osmose. Tão irreal quanto as propagandas fúteis de roupas brancas, finas e caras.
Acredito que há que se trabalhar ardentemente em si mesmo, caso se queira recomeços constantes e protegidos. Há que se desapegar de datas, prazos, determinações de festividades, opiniões externas, caso se queira realmente um novo tempo. A numerologia para o novo ano é o que deveria existir como forma essencial de nutrição de boas novas. Há muitos recados não ditos nos números da vida.
O tempo por si só já diz tudo. E o tempo nem existe de fato. O vazio, o nada, talvez exatamente aí resida o que de mais sublime e divino possamos absorver então para renascermos. O vestido longo e azul, só por vontade da cor, entrou mar adentro com toda serenidade que merece tal ritual de amor. A rosa branca brincava de ser única entre os dedos tão esperançosos e decididamente reverenciáveis de doçura. O sorriso abria a cada onda que insistia em receber como quem acolhe quem volta para casa. A casa. O mar é a casa de muita gente. É a minha, sempre foi. Ali me renovo, explodo em energia e renasço mais forte, grande e bela no que sou.
O que sou vem muito do mar. Ter os cabelos longos, ao vento, e salpicados pela água salgada, fazem os olhos se entregarem e fecharem por alguns segundos. A oração que vem, em seguida, é como a melodia secreta do que se vive por essência. A alma é lavada, abençoada, refeita. Os lábios carnudos, de um batom nude qualquer, tocam a flor num gesto absolutamente simbólico de respeito e gratidão. E num único lance, os braços torneados e bronzeados, de uma força muito bonita, entregam a rosa à Mãe. A flor some aos poucos, no ritmo preciso, místico e misterioso do mar. Desaparece em meio às lagrimas de alegria por pertencimento apenas. Flor aceita, prece atendida, gratidão recolhida pelas Entidades que me protegem, acompanham e orientam.
A rosa leva o recado. A vida responde com amor. O mar, responsável pelas idas e vindas, traz todos os sonhos grandiosos e frescos. Tudo que se deseja em bem, assim já está preparado. A água do mar é o que brota dos olhos castanhos e cansados, mas sempre presentes em si mesmos e janelas de uma alma bem antiga. A graça de viver em plenitude, finalmente, será alcançada. Que assim seja, hoje e sempre. Volto para a areia e, da areia, volto para a vida do lado de cá. Há muito que se viver já preparado e danço em êxtase.
Muito mar de bênçãos a todos. Uma infinidade de proteções aos bem aventurados de corações puros, que a tudo oram e vigiam. A colheita é bela ao se plantar rosas. Que os sentidos mais sublimes tenham piedade de toda a grande sensação de perfume infinito, que florescerá por mérito e justiça.
Alegrias devidas, simples e grandiosas serão para os que até aqui seguiram os corações em Luz. Uma onda de boas vibrações ao novo ano, ao recomeço de nova vida que se reconstitui sempre e aos poucos.
Viva o amor, que protege, salva, ampara, traz e faz vida! Toda glória de amar e ser mar, amém!