"Resgatando as origens italianas"

"Resgatando as origens italianas"

Arquivo Pessoal

Resgatar as origens italianas, trazer de volta as grandes festas e registrar a história dos imigrantes italianos em Valinhos. De acordo com Zélia Crisanti, essas foram as razões que, em 1991, levaram um grupo de valinhenses a fundarem a Associação Cultural Ítalo Brasileira de Valinhos, da qual hoje é presidente.
Na semana em que o país celebra o Dia Nacional do Imigrante Italiano, ela fala com exclusividade a Folha de Valinhos sobre os principais desafios e conquistas da entidade.]

Quando a associação foi fundada?
Em 1991 por decisão de um grupo formado por descentes de italianos. Nosso objetivo era fazer com que a cultura italiana na cidade fosse resgatada e, principalmente, registrada para as próximas gerações possam ter conhecimento sobre suas origens. O grupo inicial era formado por mim, por meu marido Cesare Crisanti, Tite Stopiglia, Antônio Félix Trento, entre outros.
E o objetivo tem sido alcançado?
Sem dúvida. Obviamente enfrentamos dificuldades, mas no decorrer destes anos também registramos muitas conquistas. Conseguimos realizar grandes festas, disseminar a cultura italiana em nossa cidade, oferecer aulas do idioma para cidadãos valinhenses e manter vivas diversas tradições que fazem parte da história de Valinhos. Temos visto os jovens se interessarem pela cultura italiana, pela história de seus pais e avós e isso também é uma conquista a ser comemorada.
Quais foram as principais dificuldades no decorrer destes anos?
Atualmente, por exemplo, estamos sem um espaço físico para atendimento. Nossa sede era mantida através dos recursos das aulas de italiano e dos eventos que realizávamos. Porém, com a chegada da crise muitas pessoas desistiram das aulas e ficou cada vez mais difícil manter a estrutura.
Também tivemos uma considerável queda no número de associados. Passei dez anos morando na Itália e quando voltei, a Associação havia sofrido alguns desgastes. Porém, com a união de forças conseguimos retomar nossos trabalhos e acredito que estamos evoluindo cada vez mais.
Este ano, a Associação contou com um espaço maior da Festa do Figo. Qual a representatividade deste fato?
Com espaço maior, a Associação conseguiu cumprir sua missão: o resgate e a conservação das tradições dos imigrantes italianos e de seus descendentes, a promoção de encontros sociais e culturais contribuem para mantermos a chama do italianismo sempre presente em nossa cidade. A Festa do Figo é fruto da imigração italiana.
O Tombo da Polenta e a Pisa da Uva foram atrações que atraíram grande público para a Festa do Figo. Como a Associação avalia o resultado do evento?
Um grande sucesso. Esse ano, além destes duas atrações que são tradicionais em nosso espaço, conseguimos trazer um grupo de danças típicas e também mantivemos a música ao vivo. Italiano é isso: é festa, alegria, música, dança e gastronomia. Acredito que cumprimos nosso objetivo.
A Associação não conta com algum auxílio do Poder Público?
Recentemente, a Associação foi declarada órgão de utilidade pública. Com isso, teremos mais facilidade nas questões relacionadas aos pagamentos de impostos e também estamos pleiteando um local para a instalação de uma nova sede. O espaço é essencial para voltarmos a oferecer serviços para os nossos associados.
Além da Associação, você também é coordenadora regional do Patronato INAS. Quais os serviços oferecidos pelo Instituto?
O INAS (Instituto Nacional de Assistência Social) é o Patronato do Sindicato CISL (Confederação Italiana Sindicatos Trabalhadores) que oferece seus serviços, gratuitamente, aos italianos e seus descendentes. Nosso objetivo é auxiliar estas pessoas em processos de aposentadorias Internacionais, aposentadorias brasileiras, trâmites para descendentes que desejam tirar cidadania italiana, entre outros serviços.
Quanto a cidadania italiana, qualquer descendente tem direito?
Não. E nós também instruíamos as pessoas sobre isso. Existem diversos critérios que precisam ser atendidos.
E onde é feito este atendimento?
Atualmente atendemos em Valinhos toda quinta-feira das 9h às 12h na sede da ACIV. Porém, é preciso fazer agendamento pelo telefone 3871-1143. 

 

Da Redação