Fotógrafo valinhense busca traduzir dom e amor por meio de imagens

Fotógrafo valinhense busca traduzir dom e amor por meio de imagens

A beleza pode ser vista em todas as coisas, ver e compor a beleza é o que separa a simples imagem da fotografia. Essa frase é do fotógrafo Matt Hardy, mas pode ser aplicada para o trabalho do fotógrafo amador valinhense Rogério Franco. Ele, que trabalha como desenhista técnico em embalagens de papelão ondulado, começou a trabalhar na tradicional Foto Parodi.
Rogério, entrevistado desta edição da Fanzine, nasceu em Araraquara, mas mudou para Valinhos quando era criança. Ele afirmou que é necessário ‘usar o dom e o amor’ na hora de captar imagens por meio de uma máquina fotográfica.
Em entrevista à reportagem da Folha de Valinhos, ele falou sobre técnicas fotográficas, locais para serem fotografados, e também da importância das novas tecnologias na área e também do futuro da fotografia e das novas gerações de fotógrafos.

RAIO-X

Nome: Rogério Franco
Nascimento: Araraquara-SP
Idade: 42 anos
Profissão: Desenhista e Fotógrafo

 

Folha de Valinhos: Qual sua relação com a fotografia?
Rogério Franco: Trabalho na empresa Clicheria Clicherlux há 22 anos. Meu primeiro emprego foi na loja Foto Parodi, quando tinha 16 anos. Fui contratado por Dona Therezinha Parodi. Ela não me deu apenas a oportunidade de trabalhar, mas também de conhecer uma família tradicional no ramo fotográfico, onde trabalhei durante cinco anos e pude dar ênfase à minha paixão pela fotografia. Nasci na cidade de Araraquara, mas vim para Valinhos com apenas três anos de idade. Hoje estou com 42 anos e sempre me senti um cidadão valinhense. Tenho muito amor por Valinhos e tento expressar esse sentimento através das imagens que faço.

Quais cenários você prefere fotografar? E por quais motivos?
Procuro sempre fotografar pontos históricos e pitorescos da cidade, sempre buscando não só usar técnicas fotográficas, mas sim tentando colocar um olhar diferenciado, algo que consiga transmitir uma dose de emoção à quem vai visualizar a foto. É como se eu procurasse criar uma marca registrada visual, construindo um elo de comunicação entre minhas fotos e as pessoas que as curtem nas redes sociais ou nas exposições das quais participo.

Como você lida com as novas tecnologias na arte da fotografia? Existe muita diferença técnica entre operar um equipamento analógico e um digital?
Sou, assim como muitos fotógrafos de Valinhos, da época da fotografia analógica. Usávamos rolos de filme de no máximo 36 poses. As máquinas ou eram amadoras automáticas sem muitos recursos, ou eram máquinas profissionais com todos os recursos técnicos e que eram usadas apenas por profissionais da área. Nessa época não tínhamos como olhar fotos em telas de LCD e ver como a foto tinha ficado. Cada foto era feita com muito capricho e técnica para não desperdiçar a pose do filme. A ansiedade era grande para ver as fotos reveladas e ampliadas em papel fotográfico. Os filmes em geral tinham a sensibilidade ISO 100, 200 ou 400. Quem precisasse de filmes mais sensíveis, só iria encontrar em lojas especializadas. Hoje as máquinas fazem fotos do ISO 50 até 25000, captando qualquer situação de luz. Naquela época a gente falava que a foto tinha queimado. A tecnologia só veio para ajudar. As máquinas são no geral melhores do que as de antes. Temos softwares avançados para o tratamento de imagens, e tudo isso é compartilhado online através da internet.

O que acha do futuro da fotografia? E o que esperar da nova geração de fotógrafos?
Vejo com muito bons olhos o futuro da fotografia. Acredito e confio na nova geração que já nasceu digital. Vale lembrar que a fotografia é uma arte. E assim como todas as artes, a pessoa precisa nascer com o dom e o amor para que tudo fique bem feito. Para quem gosta de fotografar, eu recomendo que procurem estudar a biografia e o trabalho de grandes mestres, como por exemplo o francês Henri Cartier Bresson e o mineiro Sebastião Salgado.

Como incentivar jovens a serem fotógrafos? O que pode deixar de mensagem para eles e aos nossos leitores sobre fotografia?
Para finalizar enfatizo que tudo que vale à pena ser vivido, vale também à pena ser fotografado! Uma imagem fotográfica não é feita com máquinas, mas sim com a cultura e a essência de cada um de nós. Um grande abraço a todos, um ótimo final de semana e bons cliques. Para quem quiser ver um pouco mais das minhas fotos, estarei no dia 24 de novembro participando do lançamento do livro Pérolas de Valinhos, que será realizado na Câmara dos vereadores no período noturno. O livro foi escrito por Sebastião Maria e foi ilustrado com fotos minhas e do saudoso fotógrafo Haroldo Pazinatto. Estão todos convidados.
 

Luiz Felipe Leite
Repórter